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sexta-feira, 30 de março de 2012

Sorria por quê?

E pra quem?

Outro dia estava numa loja qualquer olhando algumas coisas que eu já nem me lembro mais, e eis que de repente, bate em mim uma vontade corriqueira, porém levemente constrangedora a qualquer homem que esteja em um lugar público: aquela vontadezinha marota de coçar o saco. Discretamente, me virei para um canto onde não notariam o que eu estava fazendo e aí me deparei com aquela famosíssima placa que diz: "SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO".

Na hora me bateu um baita de um constrangimento. Pensei: "Não farei isso agora, vai que os caras que tomam conta das câmeras tão vendo e começam a rir da minha cara sem eu estar ciente...". Aguentei mais um pouco, e ao sair da loja pude finalmente me aliviar - obviamente de maneira discreta, não ia fazer tipo assim:


Depois de um tempo, comecei a refletir sobre isso: Pelo menos desde que o Rodriguinho e os Travessos começaram a fazer sucesso com "Sorria que eu estou te filmando, sorria o coração tá gravando o seu nome aqui dentro de mim ouw, ouw, ouw, ouwl, sorria que o prazer já vem vindo, sorria o nosso amor tá tão lindo, não quero ver você tão triste assiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim" eu não me sentia tão incomodado ao ver uma placa dessas. Lembrei também que praticamente qualquer estabelecimento com uma estrutura considerável possui as tais câmeras de segurança.


Mas que puxa, será que todas as vezes que entramos numa loja, num prédio comercial, recepção de hotel, ou até quando estamos na rua somos alvo de alguma espécie de big brother para apenas algumas pessoas? Será que o nosso jeito de ser, de agir, que algumas vezes é espalhafatoso, mas dentro da "normalidade" vira um motivo de chacota pra pessoas que nem vemos, nem conhecemos? A que ponto somos tão expostos assim? Será que daqui a algum tempo, todos os lugares que iremos terão câmeras de segurança? Será que isso poderá nos convencer tanto de que é um instrumento em função do "bem comum"? Até que ponto a tal da prevenção não vira um negócio chamado "constrangimento"? E mais, quem é que está nesses lugares para garantir que estamos realmente seguros simplesmente por estarmos sendo filmados? E mais, por que deveriamos ficar felizes, se precisamos ser filmados em nome de uma (talvez) falsa segurança?

Na melhor das hipóteses, se isso tudo for realmente necessário, a presença das câmeras não me faz sorrir.
Me faz lembrar que todos nós temos que nos submeter a coisas desagradáveis porque nossa civilidade
parece ter morrido. Pior do que isso, nem pra coçar o saco eu fico mais a vontade.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Precocidade

Não é ciência, não é comprovado, não é nada, é só sensação.

Volta e meia nos pegamos meio incorfomados com crianças muito novas falando ou fazendo coisas "inapropriadas para a idade". Vemos a garotinha de 7 anos dançando funk na calçada da rua no melhor estilo Absoluta, o moleque de 8 falando um monte de palavrão, meninas de 12 anos grávidas, jovens de 14 falsificando carteirinhas de identidade para entrarem em lugares apenas permitidos para maiores de 18, jovens recém-chegados a adolescência envolvidos com drogas, bebendo pra caralho também, muitos loucos para dirigir, e blablabla. Achamos isso um absurdo, como se estivessem pulando etapas da vida e prejudicando seu crescimento. E isso acontece mesmo.

Mas será que esses são só "desvios", frutos de pessoas mal educadas e que não tiveram boas referências ? Eu não penso desse jeito. Acredito que a nossa própria sociedade dê alguns impulsos para essa tal precocidade, que na maioria das vezes não são vistas como males ou pulos na "escada do crescimento".

Outro dia fiquei sabendo que um menino de 8 anos fora inscrito num curso de empreendedorismo. Precisa dizer mais alguma coisa? Porra, o moleque tem só 8 anos, tem que ir brincar, aproveitar sua energia para viver seu momento de infância, sem preocupações demais. Como a cabeça dele iria suportar um curso desse tipo? É hora dele se preocupar com seus bonecos, sua bike, sei lá, mas já pensar em ser um empresário rico e bem sucedido nessa idade?

Crianças de dez anos são submetidas a intensas horas de estudo para passarem em concursos de bons colégios públicos. Será que é essa hora da pessoa enfiar a cara em livro pra estudar pra uma prova difícil?

Aos 17 anos, já temos que escolher qual curso queremos fazer na faculdade e qual profissão deveremos seguir. E se nos "atrasamos" para tal escolha, somos considerados velhos para o mercado de trabalho.

Para os atletas, é preciso despontar no máximo até os 20 anos. Se não, você não tem futuro, outros virão e te engolirão. Hoje mesmo eu estava assistindo a um jogo de tênis, pela FED Cup (competição internacional de tênis feminino) e a jogadora profissional brasileira tinha apenas 15 anos de idade.

A verdade é que vivemos numa sociedade onde ser infantil é visto como uma coisa ruim, atrasada, defasada. Obviamente, para adultos há situações onde atitudes similares a de crianças não são bem vindas. Mas parece que tal pensamento se expandiu para os mais jovens, e da maneira ruim. Quanto menos eles parecerem crianças, melhor.

A menina mais bonita da sexta série, é geralmente escolhida pelo tamanho dos seus seios. Os meninos de 11 querem saber quem já tem cabelo no suvaco ou no saco e se sentem fodas demais por isso. Simplesmente por estarem abandonando suas feições infantis e adquirindo feições adultas, que seriam consideradas superiores.

Parece que ninguém para pra pensar nisso, e só nos deparamos com a realidade, quando a coisa foge para o lado moral/sexual. Não tenho certeza, mas parece que o resultado disso são adultos ranzinzas, sem espírito esportivo, e que acham qualquer coisa que você faça que pareça infantil uma imensa bestialidade. Ou seja, te acham um imenso idiota só porque você falou que a Luiza estava no Canadá. (Mas jogam RPG on line, isso pode, ninguém está te olhando.)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Michel Teló e já fomos mais inteligentes

Parece que às vésperas de cada carnaval escolhem uma música "chiclete" para ser o hit do momento. Outrora já ouvimos o melô da Mulher Maravilha, Festa no apê, Tô nem ai, Segura o tchan, Cada um no seu quadrado, alguma música do Chiclete com Banana, outra da Ivete Sangalo e por ai vai. Todas, em minha humilde opinião, muito ruins. Músicas do tipo "Bicicleta Ergométrica", que não te levam a nada, nem a lugar nenhum. Mas vá, tem gente que gosta, não vou ficar apontando a cara de ninguém e falando "Você é um idiota por ver graça nisso". Se for para falar mal, faremos criticas e não xingamentos (apesar de alguns seres humanos clamarem por isso, mas não percamos a compostura).

Até então tudo bem. A galera curtindo os hits, uma outra parte nao curtindo, outros dando risada, alguns ficando bêbados ao som deles e zaz. Os sucessos entravam, ficavam nas nossas cabeças por bem ou por mal durante um looooongo tempo e depois saíam. Repercussões de nível nacional, matérias com os artistas, seus nomes em tudo que é tipo de mídia. Até ai nego tava levando de boa.

Eis que surge um alieníngena de cabelos loiros e uma voz um tanto familiar que estoura como hit do próximo carnaval: É ELE, O INCRÍVEL MICHEL TELÓ, COM SEU SUPER-HIT "AI SE EU TE PEGO". Na maioria das mentes, este seria o hit do Brasil no momento. E foi. Mas não só do Brasil. A música ganhou o mundo. Ganhou até os super jogadores de futebol, como o português Cristiano Ronaldo, jogador mais famoso do Real Madrid. Não só ganhou o mundo, como ganhou versões em Inglês, Chinês, Alemão, Holandês, Espanhol, Búlgaro, Finlandês, Italiano, Portunhol, Russo e Simlish. A dancinha já virou regra em toda festa em que a música toca. Esse foi o diferencial.

E até então, o máximo de reclamações de hits desse tipo foram "Eu aqui ralando e o cara ganhando dinheiro mole". Mas sem muitas contestações ou revoltas. Só que ai cruzou as fronteiras do país, e como diria o meme, AGORA A PORRA FICOU SÉRIA! O que choveu de "Caralho, que lixo, que bosta", "Como isso pode ir parar no exterior?" "O que será que vão pensar da cultura brasileira?" "Nossa pobreza está sendo exportada" e o mais famoso "Já fomos mais inteligentes!".

A galera que tá se sentindo incomodada com o fato de um brasileiro estar fazendo sucesso no exterior com uma música que julga "sem conteúdo" precisa pensar em algumas coisas. Pensemos que você vá a uma boate, e dai você ouve aquela música que toca muito na Mix FM, na qual o cantor sempre repete: "Give me everything tonight, give everything tonight...". Ou na Shakira, que ensandecida, não para de dizer: "I'm crazy but you like it, loka loka loka". Ou mesmo na Lei de Gaga, que diz para você não parar de dançar, porque vai ficar tudo bem (repetidamente). Ou pense mesmo naquela bela canção que abriga o post anterior desse blog. Não dizem absolutamente porra nenhuma, assim como "Nossa, nossa, assim você me mata. Ice eu te pego". Então, qual é a diferença? Se você vai à boate e se acaba com uma música do tipo "Like a G6" , qual o problema de alguém fazer o mesmo com a música do Michel Teló? Se não gosta, ok, fale mal, mas criticamente. Mas vir com papinho de "ah, isso mostra o que o Brasil é, bando de analfabeto que se acaba com qualquer merda e blablabla" é muito Carlos Nascimento, amigo. Volta pra tua cerveja ai.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Just another stupid song about a Friday night

I'm gonna write a song about a Friday night
'Cause all my friends just wanna have a good time
And I got a feeling that you don't mind
If we just have a fucking awesome party time

All I want is to be at a fancy night club
To get wasted I will go to a kinky pub
And I'll hang out with chicks with gorgeous hair
'Cause all I want is to be a big big millionaire

I don't know what to say about anything cool
'Cause deep inside I'm very very fool
But all my cars have a nice nice groove

I know all I live is a big lie
But I don't care, it's my life
If you don't like it, just tell me good good good-bye


O que eu quis dizer com isso? Nada. Exatamente o que dizem grande parte das músicas de night clubs. Galerinha que se diz cheia de tudo e aberta pras coisas, mas que no fundo no fundo, tá vazia pra dedéu.

Apenas pegue uma batida qualquer, e delicie-se com essa letra non-sense. Have Fun!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Futebol e a mesma ladainha de sempre.

Eu gosto de futebol. Gosto de ver jogos do meu time, gosto de ir ao estádio torcer, de xingar a mãe do juiz e o caralho quatro. Também curto ver programas esportivos de debates e tudo mais. Acho que o futebol tem um grande valor cultural para o Brasil e outros países e creio que isso poderia ser analisado mais profundamente por nossos intelectuais. Apesar de achá-lo um tanto superestimado, é verdade (acho que outros esportes são muito mais emocionantes e divertidos de se ver e de se jogar), acho um esporte bem interessante.

O que eu não acho interessante, e pra falar a verdade, já deu no saco é a quase uniformidade dos debates sobre futebol no cotidiano que tenho percebido ultimamente. Não falo sobre o papel de jornalistas, porque estes conseguem ter um belo leque de abordagens temáticas. Me refiro a nós mesmos (talvez até me incluindo um pouco), gente comum da vida. E o que tem me despertado mais atenção são os debates entre torcedores de times rivais.

Que a rivalidade entre clubes existe, e isso é mais do que normal, assim como as gozações entre os torcedores dos mesmos, todo mundo sabe. E ai é que entra o que eu acho chato (que na verdade já achei legal, mas acho que já tá pior que a Praça é Nossa): AS PORRAS DAS GOZAÇÕES NÃO MUDAM! Além disso, essas gozações fazem parte de uma considerável (talvez a maior) parte do que falamos sobre futebol. Aqui no Rio de Janeiro, pelo menos eu já decorei o que falam: Flamenguista é mulambo, favelado, analfabeto etc (quando não apelam pra uma pitadinha de racismo e criminalização da pobreza). Vascaíno é vice vice vice vice e vice. Botafoguense é chorão e sem título. Tricolor é viado, série C, travesti e o caralho a quatro (com um tanto de homofobia ai também). E o mais do mesmo consegue tanto espaço que nego resolve perder tempo com gráficos e dados da época do Estado Novo, que afirmam quem é o maior vencedor, quem tem mais vice-campeonatos, quem é o mais glorioso, quem levou mais jogadores pra seleção brasileira, quem é o mais foda do mundo, quem é o mais insignificante, charges e mais charges postadas e comentadas a cada minuto nas redes sociais, quem foi o primeiro clube a fazer isso, quem foi o ultimo a fazer não sei o que, quem ja foi rebaixado, quem não foi e blablablablabla.

Tá beleza, é legal dar uma zoada naquele teu colega chato pra caralho, mas ficar falando as mesmas coisas toda vez que tem jogo é chato pra caralho. Parece que toda vez que eu entro na internet em dia de jogo eu já sei o que vão estar falando, e quem vai estar falando também. Vamo variar galera, tanta coisa pra falar!

domingo, 23 de outubro de 2011

Assento para obesos

Parece que gradativamente temos assistido a um ganho progressivo de direitos por parte de setores da população que se não estavam à margem da sociedade economicamente, ao menos socialmente estavam (Ou ainda estão). Talvez o maior exemplo seja o dos homossexuais, que agora têm o direito à união estável e que tem buscado a cada dia quebrar o preconceito que os cerca. Mas não é só isso. Os deficientes físicos também buscam uma maior acessibilidade, negros lutam para por fim ao racismo (que apesar de muita gente afirmar o contrário, existe e muito no Brasil), os pobres lutam por ascensão social, e por ai vai...

Apesar disso, uma parcela ressentida da população, de forma um tanto quanto delinquente, parece se sentir ameaçada com esse ganho progressivo de direitos, alegando que estes são na verdade privilégios e que levam a nossa sociedade a desigualdade. Tal pensamento é tão forte, que é refletido (ou talvez até seja formado) na grande mídia nacional.

Quanto o assunto é reforma agrária: "É um absurdo você expropriar um grande produtor para dar a terra a um morto de fome que não sabe fazer porra nenhuma. Esses vagabundos tem que ir trabalhar e não ficar fazendo baderna na fazenda de quem quer trabalhar. Foda-se a reforma agrária."

Quando o assunto é Bolsa Família: "Esse governo é irresponsável, porque essa doação de dinheiro vai incentivar as pessoas a ficarem em casa e não irem trabalhar. Vão criar uma massa de vagabundos."

Quando o assunto é orgulho gay: "Viva o orgulho hétero, se eles podem, nós podemos também. Afinal de contas, viva a igualdade."

Quando o assunto é orgulho negro: "Temos que cuidar do futuro das nossas crianças brancas"

E agora nos ônibus existem os assentos preferenciais para obesos. Não foi motivo de discussão, mas o que será que os 'conservas' e a mídia corporativista burguesa (já que o termo ficou famoso) falariam sobre o tema? Ai vai o discurso pré moldado de outras situações: "Esse governo é um irresponsável, quer incentivar a má alimentação das crianças brasileiras. Criar um assento desses é incentiva-los a má alimentação, porque agora tem acesso a esse privilégio. Querem transformar esse país num grande mar de banha. Isso é uma vergonha!"

E ai, já pararam pra pensar em que jornal vocês leem e à que noticiários vocês assistem? Todo cuidado é pouco.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma homenagem justa.


Este final de semana eu vou ao Rock in Rio. Como consequência disso, minha cabeça não pensa em outra coisa que não seja música. E música pra mim, sempre (ou desde que o meu lado crítico/interpretativo começou a se desenvolver) esteve ligada a grandes músicos que influenciaram (e influenciam) artistas que inspiram, emocionam e cativam. Um grande exemplo disso foi o R.E.M., banda que anunciou o seu fim durante esta semana e que com certeza deixará muitas saudades.

Não foi ficar naquele papinho "Ai-meu-deus-a-banda-acabou-vou-morrer", mas que vai fazer falta vai. Vai porque a banda tinha uma inteligência pra escrever que era fora

do comum. Tinha melodias não tão profundas mas que provavelmente alguma delas te tocou (nem que tenha sido de raspão) em algum momento da sua vida. Suas habilidades pra clipes sempre foram notáveis, e seu último disco, lançado em 2011, apesar de não chegar perto dos melhores que já lançaram, não era de se descartar. Confesso que preferi o penúltimo, chamado Accelerate, que tinha uma arte no albúm que era lindíssima, que parecia dar cores ao preto e branco.


Mas o que importa é eu gostaria de prestar esse tributo a uma das bandas de maior importância e notabilidade dos últimos anos, aposto que gosta de um bom rock vai sentir falta. E ah, meus queridos, eu peço desculpa por ter trocado o show de vocês em 2008 pelo do Offspring. Eu juro que eu queria ir, mas eu moro longe pra caralho da HSBC Arena, e nesse dia nao tinha carona pra voltar. Malz ae.