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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Porta dos Fundos e a revolta dos cristãos.

Acho engraçado que uma galera defensora da liberdade de expressão, que diz que o humor não pode ser censurado e que existe uma ~~patrulha do politicamente correto~~ que não deixa ninguém fazer mais piada nenhuma com ninguém, agora anda toda revoltada com os vídeos da galera do Porta dos Fundos. Segundo esses, tais vídeos são uma afronta ao cristianismo e aos valores cristãos. Alguns chegaram ao ponto de dizer que os vídeos deveriam ser retirados do ar e tudo mais.

Eu entendo que muitos de vocês, amigos cristãos, não gostem de tais vídeos. Tais histórias, e valores contidos nelas são sagrados pra vocês. Mas eu gostaria que vocês entendessem também, que por mais que vocês não gostem e discordem, a história de Cristo e do Cristianismo NÃO É MONOPÓLIO de vocês. Ela pertence ao público. E este público inclui também os não-cristãos, que diferentemente de vocês, não consideram tais histórias sagradas. Vocês podem não gostar da interpretação que o grupo fez e satirizou. Sendo assim, sintam-se livres para não verem mais nenhum vídeo deles. De qualquer forma, em nenhum momento dos vídeos em que vocês afirmam que há um ~~ataque ao cristianismo~~ há incitação ao ódio ou reforço de esteriótipos, ou qualquer tipo de violência simbólica, e sim uma subversão de uma história contada por vocês que cada ser humano tem direito de interpretar e reproduzir da maneira que melhor entender. Queria muito que vocês entendessem que criticar e satirizar não é a mesma coisa que ofender.

Outro bagulho que vocês estão fazendo e está me dando vergonha alheia é usar o seguinte argumento: "Quero ver fazer isso com Maomé". Se vocês acreditam que o que vocês sofreram foi incitação ao ódio, por quê vocês provocam o Porta dos Fundos a fazer o mesmo com os símbolos de outra religião? Confesso que não entendi. Além do mais, isso não é contra o princípio da própria religião de vocês?

Outra coisa, e é o que talvez mais me incomode no momento: quando os "humoristas" Danilo Gentili e Rafinha Bastos soltaram um monte de piadas preconceituosas contra negros, judeus e mulheres, muitos de vocês se calaram e uma parte ainda veio dizer: "É só uma piada, tem uma galera muito chata que fica patrulhando os outros". Como diria a Tia Vera, minha ex catequista, vocês estão precisando fazer um exame de consciência. Só a fé de vocês merece respeito? A dignidade de seres humanos estigmatizados e violentados pode ser tratada como piada numa boa, mas uma sátira com a história da qual a religião de vocês se apropria (mas que, repito, em nenhum momento é posse absoluta de vocês) é uma afronta a princípios morais? Vocês tem certeza disso?

Há quem diga que há uma perseguição aos valores do cristianismo no Brasil. Eu sugiro que vocês façam a seguinte reflexão: Quantas vezes você, cristão, foi alvo de preconceito por ser cristão? Se já foi, tente se comparar aos adeptos de religiões de matriz africana. Quantas vezes seu templo ou igreja foi destruído por fanáticos? Quantas vezes você propôs que uma oração fosse feita e isto foi negado(incluindo lugares onde manifestações religiosas não deveriam acontecer, fossem elas cristãs ou não)?

Eu espero que muitos de vocês não confundam a luta pela laicização do Estado (ou seja, a separação entre religião e Estado) com uma luta pelo fim de qualquer crença. Caso contrário, vocês estarão sendo nada mais do que massa de manobra de políticos e empresários travestidos de líderes religiosos que querem transformar a sua fé em projeto de poder (que não necessariamente vos inclui). Sendo assim, sugiro que vocês façam uma reflexão mais profunda antes de assinar qualquer baixo assinado ou fazer qualquer denúncia. Obrigado e beijos no cérebro.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Eu sou chato, mas não sou maluco. (ou vice-versa)

Primeiramente, meus amigos, é com prazer que retorno a escrever neste tumultuado e polêmico wannabe blog. A vida esteve muito corrida nos últimos meses e a preguiça andou batendo forte nos tempos livres. Mas aqui estou, de volta para falar um pouco sobre as coisas caóticas da vida.

Nos últimos meses, o estado do Rio de Janeiro, em especial a sua capital se viu sacudido por uma série de manifestações que levaram milhares e até milhões de pessoas às ruas. Tal processo tem levado a um enfraquecimento do governo do Estado, liderado pelo excelentíssimo senhor Sérgio Cabral Filho. O caso do complexo do Maracanã é emblemático. Há meses atrás, a posição de derrubar o Museu do Índio (e retirar os indígenas da aldeia Maracanã), o parque aquático Júlio Delamare, o centro de atletismo Célio de Barros e a escola municipal Friedenreich era firme. Toda a mobilização popular fez a posição autoritária e antidemocrática do governador voador se desmontar como um castelinho de areia.

A verdade é que Cabral não tem mais moral nenhuma com a população do estado que ele (des)governa. Assim, ficará muito difícil que ele reeleja o seu candidato para o próximo mandato, o atual vice-governador Luiz Fernando Pezão. O que de fato seria uma grande tragédia.

Mas como não há nada tão ruim que não possa piorar, temos visto que nas pesquisas mais recentes de opinião para as próximas eleições tem aparecido nomes nada alentadores. César Maia, Lindberg Farias, Anthony Garotinho (além de Pezão) são os nomes mais cotados. Boa parte de vocês quase infartou ao saber disso. Ao lermos esses nomes, podemos ver que caso as pesquisas se confirmem, não haverá nenhuma mudança significativa nas políticas públicas do nosso estado, e a relação deste com a sociedade não será modificada. Sem valorização do serviço e de servidores públicos, elefantes brancos, gastos inúteis, desvios, privatizações, etc. Nada de novo, nem os nomes.

No entanto, estamos em agosto de 2013. As eleições serão em Outubro de 2014. Há tempo para que essa situação se reverta. No entanto, não é querendo ser chato nem nada (afinal, eu canso de falar isso), mas se vocês de fato estão ansiosos para uma mudança no nosso estado, como melhora no transporte público (em preço e qualidade), hospitais com médicos bem remunerados e com equipamentos suficientes para bom funcionamento, escolas com infraestrutura e com valorização de seus profissionais, o fim da violência e arbitrariedade da PM, entre outras coisas, a saída não se encontra por outro lado que não seja a esquerda.

As vezes é chato pros amiguinhos ouvirem isso, afinal, muitos de vocês não querem ir pra esquerda nem pra direita, querem ir pra frente. Mas esse papinho ~~neutro~~ é exatamente o mesmo que aqueles que te enganam praticam. Vocês querem ser que nem eles? Talvez seja essa a hora de vocês saírem de cima desse muro e pararem de achar que pode haver conciliação numa sociedade tão desigual e conflituosa como a nossa.

Um abraço a todos!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Vou contar uns segredinhos pra vocês

1 - O Marcelo Freixo está correto quando se pronuncia em relação a operação que resultou na morte do traficante Matemático.
2 - Direitos Humanos não foram feitos para defender bandidos. Procure no google "Declaração universal dos direitos do homem e do cidadão" e parem de falar besteira.
3 - Bandido bom não é bandido morto, é bandido recuperado.
4 - Nem você, nem eu, nem ninguém temos o direito de afirmar quem tem chances de se recuperar ou não.
5 - O seu desejo de morte e vingança de criminosos dá sinais de psicopatia claros. Procure tratamento.
6 - "Se isso acontecesse com a minha família" eu ficaria puto também. Mas por favor, deixa de ser imbecil e achar que as leis tem que se adequar ao desejo de vingança dos seres humanos.
7 - Se nos EUA existe a pena de morte, azar o deles. São uma sociedade autoritária que tenta se colocar acima do bem e do mal sem sequer dar um jeito nos problemas reais daquele país (pois é, existem problemas sociais nos Estados Unidos da América)
8 - Você é extremamente burro se acha que nos EUA tudo é melhor que no seu país.
9 - A punição de crimes por si só não resolve nada.
10 - Se você acha que ao completar 18 anos, o criminoso de 17 vai parar de cometer crimes, você é retardado.
11 - A redução da maioridade penal não serve para nada, nem como medida paliativa.
12 - Mentira, serve sim. Vai piorar as condições nas prisões brasileiras. Ai você pode pensar: "Ah, foda-se, desde que não estejam na rua, tá bom". Ai o maluco se torna um animal na cadeia, sai de lá com 21 ou 22 anos pior do que quando entrou. Ai vai e rouba o seu celular que você lutou tanto pra comprar. Mas que chato né?
13 - Assistir os programas do Wagner Montes e do Datena faz um certo mal à saúde.
14 - Um rapaz de 16 é grande o suficiente para responder por seus próprios crimes. Mas não pode ganhar direitos com isso?
15 - O Dudu Paes é um bandido mais perigoso do que os do morro (não que esses não sejam)
16 - O Sérgio Cabral também.
17 - O Eike Batista também.
18 - Não, eu não gosto, nem tenho peninha de bandido. Mas também não gosto da burrice de vocês.
19 - É muito engraçado ver pessoas que se dizem "de Deus" reproduzindo todos esses discursos de ódio. Tomem cuidado se não vocês vão pro inferno, hein.
20 - Cristianismo seletivo não é religião, é só uma forma de ser babaca mesmo.
21 - Se você, depois de ler isso tudo, ainda sente vontade de reproduzir todos esses preconceitos, seu lugar não é em uma democracia. Volte no tempo e tente uma vaguinha na Itália de Mussolini.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Caiu na #rede é o que mesmo?

Nos últimos dias vimos que foi criada uma tal de Rede Sustentabilidade, ou #rede, cuja liderança é da historiadora acreana Marina Silva, ex PT e PV, por onde concorreu às eleições presidenciais de 2010, terminando o pleito em terceiro lugar, atrás da presidente Dilma e do jurássico neoliberal José Serra.

Marina, liderança "natural" do novo partido, afirmou que a nova sigla não é de direita, nem de esquerda, mas que está a frente de outros partidos. O que concluir de uma afirmação como esta? Ao meu ver, assim como nas eleições de 2010, ela (que encontra ecos de sua voz em outros partidos políticos) pretende se mostrar acima de quaisquer conflitos, sejam eles ideológicos, programáticos e de atuação política. Tal estratégia é típica de partidos e outras organizações da classe dominante (meios de comunicação, principalmente) que se fingem neutros, numa tentativa (na maioria das vezes, bem sucedida) de criar um consenso sobre suas visões de mundo, projetos de sociedade, etc. 

Sempre que alguém afirma não pertencer à direita, ou à esquerda, pode ter certeza que este alguém é de direita, ainda que no caso do novo partido, haja possibilidade de um diálogo com alguns setores da esquerda. Vale lembrar, que a maioria das organizações políticas de direita no país tem uma enorme dificuldade (na verdade, trata-se de falta de interesse político mesmo) de afirmarem publicamente suas posições reais. E é exatamente o que vai se desenhando nesta nova #rede, que se afirma superior à outras agremiações políticas, diz que vai fazer uma política diferente, mas que já agrega membros que praticam e praticaram a velha política, como políticos de PT e PSDB, partidos supostamente "rivais", além da contraditória PSOLista Heloísa Helena.

Outro ponto importante, é que tal #rede se diz defensora da sustentabilidade e da ecologia. Ao menos nas reportagens que li acerca da formação deste novo grupo, a Rede Sustentabilidade, não se pronunciou sobre a política agrária que defendem para o país, nem sequer direcionou uma crítica ao latifúndio. No entanto, conforme afirma a Folha de São Paulo:  "O estatuto do novo partido proíbe o recebimento de doações de fabricantes de bebidas alcóolicas, cigarros, armas e agrotóxicos e estabelece que a legenda imporá um teto às contribuições que seus candidatos poderão receber." 

Então, será que para estas pessoas, somente uma série específica de capitalistas destrói o meio ambiente? Ou será que eles só estão dispostos a mostrar para o público que estão em defesa do meio ambiente, sem realmente praticarem uma política condizente com tal bandeira? Afinal, as ideias em defesa da ecologia, do fim dos desmatamentos, diminuição da poluição, etc são uma espécie de senso comum na sociedade, na qual um político que por ventura se disser contrário a tais políticas dificilmente terá algum destaque, enquanto outros que levantarem tais causas com mais frequência, terão mais chance de conseguir destaque. Me parece que esta é a estratégia da #rede, que apesar de ver nos agrotóxicos um mal para a sociedade brasileira, dificilmente conseguirá, caso chegue ao poder, efetivar uma política contra o uso destes insumos, devido principalmente à suas próprias contradições internas, e não propor um enfrentamento a interesses capitalistas.

O estatuto do partido também prevê um teto para os gastes com campanhas nas eleições. Interessante, mas ainda assim, o capital privado provavelmente terá um espaço grande na #rede e irá  fazer o mesmo jogo de interesses que faz com outros partidos. Por que não defender o financiamento público?

Diante de tantas confusões, eu me pergunto: Se essa galera é tão em cima do muro, por que não foram pro PSD?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Prevendo a Metereologia

Primeiramente, meus queridos, feliz 2013 e feliz natal de 2012 (super hiper mega atrasado, eu sei). O Quer Ficar Com a Perna Grossa corporation está de volta. Estive muito ocupado nos últimos meses e não tive muito tempo para escrever aqui. Mentira, na verdade eu não tinha o que escrever aqui.

Mããããããs, como estamos no mês de janeiro, eis que me apareceu uma luz. Ou uma água. Ou muitas águas. E não foi só comigo. Praticamente com a população inteira de meu querido e caótico estado do Rio de Janeiro.

Como muitos de vocês puderam acompanhar pela televisão, diferentes lugares foram afetados por conta de fortes chuvas nesse início de ano. Há umas semanas atrás, muitas pessoas na baixada fluminense, principalmente em Xerém (Duque de Caxias) ficaram numa pindaíba legal.

Esta imagem é apenas uma leve ilustração de como ficaram as coisas por lá.

Semana passada, foi a vez da charmosa (só que não) Praça da Bandeira ficar alagada. Mais uma vez. Eu já acho, inclusive que poderiam mudar o nome daquele lugar para praça da inundação, porque toda vez que cai uma chuva intensa naquela área, nego tem que passar por ali com água no joelho.
Nessa imagem acima, podemos ver um jovem, provavelmente estudante, se preparando pra tirar uma onda no piscinão recém instalado pela prefeitura, que por sinal se elegeu com uma chapa denominada "Somos um Rio". No mínimo sugestivo.

Mas, infelizmente, notícias como essa não são mais novidade para ninguém. Acontece que, sempre que tragédias como estas mencionadas ocorrem, ouve-se dizer nos jornais que especialistas em metereologia afirmavam que no dia do acontecimento da catástrofe, choveu a quantidade esperada para o mês inteiro.

Ok, choveu pra caralho mesmo. Mas po, eu to ouvindo esse papo de que o esperado pro mês era X, e que em um só dia choveu X ou 2X e etc. Ano passado foi a mesma coisa, e o retrasado também. Poxa, acho que já dá pra afirmar que em algum dia de verão no ano que vem vai chover o esperado (ou mais) para o mês inteiro. Ou não?

Enfim, na verdade eu não entendo porra nenhuma de metereologia, mas sempre escuto esse papo de que essas chuvas fortes não eram esperadas. Aí vem o prefeito todo engomadinho e diz que o que aconteceu foi um acidente, uma tragédia inesperada, uma fatalidade. Como assim, se todo ano acontece? Ok falar que foi fatalidade, porque a quantidade de pobre morto todo início de ano é alarmante. Mas de resto...

Será que é tão difícil evitar que coisas como essas aconteçam? Ou melhor, será que é tão difícil ter o mínimo de decência e vergonha na cara para afirmar que o que tem acontecido não é um desastre natural, mas sim consequência de um descaso histórico por parte do Estado brasileiro em relação a moradia?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Quando a vida te der limões...

Há cerca de um mês atrás eu entrei em um ônibus (mais precisamente o 335, Cordovil - Tiradentes via Brás de Pina) em minha volta do trabalho. O ônibus estava bastante cheio, como de costume naquele horário, por  volta de 9:15 da noite.

Após entrar, passei a roleta e fiquei em pé próximo a ela. Poucos minutos depois, um homem entrou no ônibus e foi passar a roleta. Para não atrapalhá-lo, me movimentei em direção ao centro do busão. Neste longo e árduo caminho, um homem sentado que aparentava ter entre 55 e 65 anos puxou a minha perna. Na hora eu não entendi nada. Mas como sou um desastrado de carteirinha, pensei na possibilidade de ter pisado no cara, ou algo do tipo. Parei perto do homem e perguntei:
- Com licença, eu pisei no senhor?
O homem gentilmente me respondeu:
- Você está maluco!
Tomei um susto com a resposta, e apenas disse:
- Ok, desculpa.

Alguns segundos depois, o cara continuou falando em tom irônico:
- Você não fez nada, não fez nada você!
Fiquei confuso.

Após esse breve e amistoso diálogo, a mulher que estava sentada do lado dele olhou pra mim como se quisesse dizer que o cidadão estava bêbado ou fosse maluco. Na hora eu liguei o foda-se.

O cara, no entanto, continuou falando. Não dei muita atenção e nem lembro direito o que ele dizia. Mas se não me engano, na maior parte do tempo, era algo do tipo "Eu vou querer brigar com você? Eu tenho sei lá quantos anos!". Pra não deixar o cara no vácuo, eu só balançava a cabeça e dizia "Jamais, jamais..."

Até que chegou o momento em que o homem resolveu falar da mulher que estava sentada no banco de trás. Também não dei muita bola, mas ele parecia estar falando da aparência física da cidadã.
E aí é que estava o problema. Por um momento eu esqueci que há no mundo pessoas sem a mesma capacidade de abstração que eu tenho. A mulher começou a ficar bolada. Perguntou pra mim o que o cara estava falando. Como eu nem sabia direito, tentei fazer o mesmo sinal que a mulher ao lado dele me fizera minutos antes. Mas minha tentativa foi inútil.

Eis que a mulher de trás se levanta. E foi tirar satisfação com o homem. Falou para o mesmo "calar a porra da boca", caso contrário ela meteria a porrada no cidadão. Após um breve momento de inquietação, ambos se sentaram. E aí o homem talvez tenha cometido o maior erro da vida dele: continuou a falar. Eu por um instante achei que as coisas se acalmariam até eu chegar em casa. Só que não contente em apenas continuar falando, o homem aumentou o tom de voz. Começou a chamar a mulher de "grossa", "vadia", "gorda", ainda soltou frases do tipo: "Algum homem vai querer isso ai? Toda grossa, toda ruim". Enquanto isso a mulher não parava de xingar o cara de "velho babão" ou coisas do tipo. Eles se levantaram novamente e tornaram a discussão mais ríspida. Como não sou uma pessoa que gosta de agressões, tentei acalmar os ânimos, afinal, não custava tentar, estava perto e talz, sem contar que se saísse porrada ali seria por um baita motivo banal. Mas eu subestimei o poder da violência.

A mulher disse que se o cara encostasse ao menos um dedo nela, a porrada comeria. Pra mim era blefe. Pro cara também. Ele só de sacanagem encostou. E a mulher fez seu braço voar pra cima do cara, que por sua vez revidou. Pois é, você já deve ter entendido que isso era tragédia anunciada. O problema é que eu não tinha entendido. Neste momento, eu ainda estava no meu processo de tentativa de apaziguamento, que fora solenemente ignorado por ambos. Ou seja, conforme a porrada começou a comer, eu fui delicadamente jogado em direção a roleta e não pude fazer nada a não ser assistir de um ponto de vista privilegiado dois seres humanos caindo no tapa sabe-se lá por qual causa, motivo, razão ou circunstância. Saldo da porradaria: os dois bateram, os dois apanharam.

A confusão gerou um furor geral no ônibus. O pessoal ficou revoltado com o cara, afinal, ele estava batendo em uma mulher. Deram uns pescotapas no maluco, mas nada que o machucasse. Depois de uma rápida confusão geral, tentaram fazer com que o cidadão descesse do ônibus. Ele se recusou, pois afirmou que  não tinha feito nada (pois é). O ônibus ficou parado por um tempo, até que a mulher falou para os mediadores da confusão (a essa altura do campeonato eu já nem tentava mais acalmar nada): 
- Deixa ele quieto ai, se fudeu, apanhou de mulher. Vou ligar pro meu marido dar uma coça nesse filho da puta.

Mais uma vez eu achei que era blefe. Mas não era. Após andar mais um pouco, o ônibus parou em um ponto onde muitos passageiros descem, mais precisamente na esquina da Rua Ourique com a Taborari, pra quem conhece esse feudo. Após a descida de passageiros, um homem de cerca de 35 anos entra no ônibus e pergunta:  
- O que está acontecendo?
A mulher envolvida na confusão diz:
-Foi ele, amor!
Em seguida aponta para o homem envolvido na briga.

Depois de proferir meia dúzia de palavras intimidadoras para o homem que deveria ser uns 20 ou 30 anos mais velho que ele, o rapaz enfiou-lhe a porrada. Teve de tudo: mão aberta, mão fechada, pontapé, inclusive uma bela técnica de se pendurar no balaústre e dar pontapés voadores. Quando eu achava que aquilo já tinha ido longe demais, entra um rapaz mais novo e mais magro do que o marido da mulher envolvida, e começa a bater com um pedaço de pau na cabeça do homem.

Neste momento eu não aguentei mais. Como já estava perto de casa, desci do ônibus ali mesmo e fui andando. A mulher ao lado do homem violentado fez o mesmo que eu.

Como se já não bastasse ter que viver com o caos diário do transporte, ainda tive que ver de perto cenas de violência gratuita.

Não consegui achar nada de bom nesta história, mas se a vida te der limões, faça ao menos uma postagem em um blog.

Ps: Galera, por favorzinho, vamos evitar comentários que contenham criminalização da pobreza. Obrigado.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O Maior Brasileiro de Todos os Tempos

A finalíssima acontecerá no dia 3 de outubro. Ainda estão no páreo Chico Xavier, a princesa Isabel e Santos Dumont.
Por essa lista passaram alguns nomes de extrema importância para a história de nosso país, seja na política, nas artes, esportes, etc: Getúlio Vargas, Pelé, Irmã Dulce, Renato Russo e Machado de Assis foram alguns deles.

A lista também contabilizou uma série de nomes bizarros, como: Dedé do Vasco, Luciano Huck, Rodrigo Faro, Xuxa, Luan Santana, Michel Teló, Gugu Liberato, Hebe Camargo, Reinaldo Gianecchini, Datena, Ronaldinho Gaúcho, Cláudia Milk, Silas Malafaia, Eike Batista, Neymar, Edir Macedo, Roberto Justus, Ronald Golias, Anderson Silva, Fernando Henrique Cardoso e vamos parar por aqui pra não ficar mais feio.

Me entristece mais, na verdade, a forma como essas personalidades são apresentadas ao público. Um misto de heroísmo com ufanismo, como se nosso país não fizesse sentido sem a bondade e/ou genialidade das pessoas em questão. Uma princesa Isabel boazinha, que por pena dos negrinhos escravizados, fez a bondade de conceder-lhes a liberdade. Um FHC que deveria ganhar uma estátua dourada por ter controlado a inflação. Um JK que só pensava na integração entre as regiões do Brasil, um visionário, pessoa a frente do seu tempo.

Não quero questionar a importância de alguns desses nomes, mas colocá-los como salvadores da pátria é no mínimo exagero. Se existe um maior brasileiro de todos os tempos, ele certamente não foi capa da Veja ou da Caras, não foi manchete de jornal, não foi matéria do Fantástico, nem foi entrevistado pela Hebe. Provavelmente foi um cara que acordou bem cedo mais da metade dos dias de sua vida, comeu o pão que o diabo amassou no trabalho, fez o que pode pra se sustentar (e sustentar sua família) e ainda assim teve que lidar com a humilhação diária imposta por uma sociedade desigual. Sem nenhum reconhecimento.

Me irrita a forma como são colocadas tais figuras por parte de nossos meios de comunicação de massa. Sobra sensacionalismo e falta um pouco (pra pegar leve) de senso crítico. Lamentável.

Pra piorar, tudo isso apresentado por um cara que disse que eu já fui mais inteligente só porque falei que a Luiza tava no Canadá.