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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Revendo alguns conceitos

O mês de Setembro já vai escorrendo por nossas mãos, e com ele, aproxima-se a data eleitoral. Mas não, não irei voltar ao assunto "Eleições 2010" novamente. Esse texto referir-se-á a uma série de reflexões que tive, por diversos motivos, nesse presente mês, ligados a três acontecimentos históricos de valiosa importância.

Um deles, como todo brasileiro deveria saber, trata-se do dia 7 de Setembro, dia de nossa Independência, declarada por Dom Pedro quando dava uma bela de uma cagada às margens do rio Ipiranga(Faço uso de licença poética, obviamente). O que leva a alguns sempre discutir até que certo ponto vai a nossa independência de fato. Vejo que neste caso a discussão sempre corre mais acerca da noção de soberania do nosso povo em relação ao território nacional do que de fato uma indepêndencia, uma vez que nenhum país em uma era globalizada pode se dizer 'auto-suficiente', como já afirmara o geógrafo Milton Santos em uma de suas obras. De fato, o que se ouve, é que muitas das vezes, nossos projetos 'desenvolvimentistas' acabam por atender os interesses do capital estrangeiro em detrimento dos interesses imediatos da população. E isso é verdade. Mas não vou chover no molhado.

A outra data a qual eu me referia(e na qual me aprofundarei mais intensamente), como já era de se imaginar, é referente ao dia 11. Em 2001, as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, foram atingidas por aviões e desabaram, matando muitas pessoas, o que deu inicio a um combate anti-terrorista Norte Americano sem precedentes. O Pentágono também foi alvo de ataques. A partir deste marco, veiculou-se na mídia uma série de informações contra o Islamismo e seus valores e princípios, gerando um temor geral dos ocidentais em relação ao povo muçulmano e a à sua religião, formando preconceitos etnocentristas através de informações omissas e tendenciosas. A partir dai, justificam ocupações militares no oriente médio, intervenções e sanções a alguns países, sempre colocando-se como defensores da igualdade e da democracia. Há certamente alguma coisa estranha nisso tudo. Há de se lembrar de muitas coisas que não são faladas, ou quando são, de forma muito superficial ou até mesmo pejorativa.

Já há alguns anos que o governo norte-americano ocupa militarmente regiões como o Iraque e o Afeganistão. Nesses processos, certamente o número de mortos já superou o do atentado terrorista tão demonizado(com até certa razão, porém com uma dose absurda de sensacionalismo). Os ataques e bombardeios são feitos geralmente a noite, para assim poderem destruir o que e onde quiserem com a falsa desculpa de que os lugares atacados são 'armazéns' de armas de destruição em massa (Isso provavelmente foi uma lição aprendida com a guerra do Vietnã, onde os estragos causados pelo Agente Laranja foram televisionados para todo o globo). Muitos dos soldados são pobres e vão para esses lugares lutar por algo que eles nem sabem ao certo do que se trata. Os filhos do engomadinhos governantes sempre se livram dessa. Colocam e destituem ditadores do poder, como foi feito com Saddam Hussein, de forma quase que arbitrária. Apoiam militarmente o Estado de Israel, que coloca palestinos em campos de refugiados! Não seria muita viagem lembrar que condenavam os campos de concentração dos nazistas na segunda grande guerra, e agora apoiam algo que não é muito diferente (e isso não se trata de hipérbole alguma, haja vista que há autores que fazem tranquilamente essa relação entre os campos de concentração e os de refugiados). Podia listar muitas outras coisas por aqui, que você dificilmente vai ouvir no Jornal Nacional, mas acho que os exemplos expostos já justificam o meu ponto de vista.


Mas o que eu gostaria de dar mais ênfase é a um episódio da história recente da América Latina, e que passa despercebido a cada ano. Falo novamente do dia 11 de setembro, porém do ano de 1973. Nesta data, acontecia um dos fatos mais tristes da história do Chile. O Governo da Unidade Popular, do presidente Salvador Allende, sofre um golpe de Estado, liderado pela elite do país, e COM O APOIO DO GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, que pôs no poder o sanguinário Augusto Pinochet, dando início à mais cruel ditadura Latino Americana(vale lembrar que os EUA apoiam também neste mesmo periodo, ditaduras em outros páises, inclusive no Brasil) e o então presidente do Chile é ASSASSINADO quando tropas militares invadem o Palácio de La Moneda, sede do governo. Allende havia sido eleito DEMOCRATICAMENTE pelo povo chileno. E em seus poucos três anos de governo conseguiu implantar uma reforma agrária e a nacionalização de empresas estrangeiras. Feitos esses, que estão diretamente ligados às ideias de soberania popular e democracia que foram abordadas anteriormente. Allende anteriormente, em 64, perdera as eleições para o democrata cristão (não porra, não é o Eymael) Eduardo Frei, direitista, que venceu graças à uma máquina publicitária montada com a ajuda da CIA.


Mas por qual motivo será que este evento histórico de suma importância não tem a mesma repercussão que os atentados às torres e ao pentágono? Será esta uma tentativa de vitimização que o governo norte americano tenta fazer pra se aliviar das mortes e torturas que já causou no resto do mundo, usando como exemplo, as vítimas do atentado? E cabe aqui também outra pergunta: Quem é o terrorista, afinal? É o fundamentalista que joga os aviões e que se explode em praças públicas, ou é um aparato estatal burocrático de dimensões política, econômica, social e cultural, que mata pessoas das mais variadas formas(inclusive de fome), oprime e subjuga? Minha resposta para tal pergunta é a seguinte: Ambos! Porém o segundo, com um grau de influência e dominação maiores, é mais perverso e sanguinário.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mas que porra é essa?

Passaram-se algumas semanas desde o término das minhas queridas férias, e eis que teria que voltar a frequentar a minha amada e longínqua Universidade Federal Fluminense. Porém, neste curto período de felicidade, que só durara por três míseras semanas, pude desfrutar dos confortos de uma vida de um eterno vagabundo. Nele, tive a oportunidade de ficar acordado até a hora em que desse na telha, e como consequência disso, pude me permitir assistir a diversos programas esdrúxulos da madrugada televisiva(Pros punheteiros de plantão, aviso que não fiquei assistindo Multishow, Cine Privê, muito menos Tele Cine Action). Até então, nada muito anormal ou peculiar. Eis que eu me deparo com algo que mudou a minha vida enquanto
telespectador:
A PROPAGANDA DO SUPERPAPO!

Exatamente, é isso mesmo, não se assuste. Quando eu digo que esta propaganda mudou a minha vida, eu digo que foi para pior. Se você já a assistiu, sabe o motivo pelo qual eu digo isso. Se você não a assistiu, deve estar pensando "Ah o Matheus tá sendo sensacionalista, é apenas mais um comercial de má qualidade que ele arrumou como desculpa pra fazer um texto praquele blog dele". E é verdade. Porém, esta não é uma propagandazinha leve de 2 minutos na qual você olha, sente uma pontada de vergonha alheia e ela passa, daí você volta a curtir o seu programinha. Anúncios assim existem aos montes, como é o caso da Tigre, do Mundial(o supermercado), a TVA(a mulher torcendo pro Uzbequistão é triste demais), a NET com a Claudia Leitte, a Ipiranga e os seus Kilômetros de Vantagem, o Protex e seus 100 versos que não rimam, sem contar nas propagandas eleitorais pra Deputado Estadual. Mas a do SuperPapo já se tornou quase um programa, não apenas um mero anúncio publicitário. Prova disso é que ela ocupa um espaço diário de mais de uma hora na Rede TV. Ou seja, dependendo do seu humor, ou é tortura, ou são momentos de risadas infinitas, pois ela se repete milhares de vezes, assim como o verso de "A Volta do cão arrependido", brilhantemente recitado pelo mestre Chaves.

Mas pra quem não sabe/não faz a menor ideia do que eu estou falando, contar-lhes-ei do que se trata. Simples assim: Todo mundo sabe que comerciais de redes de bate-papo tem um orçamento meio baixo, dai a qualidade do som, do cenário e quiçá dos profissionais de atuação envolvidos ficam claramente prejudicadas. E isso é um prato feito pra você que está assistindo ter a tão famosa vergonha alheia. Por quê? A resposta é simples. Redes de bate-papo geralmente gostam de passar a impressão de serem modernas, com gente bonita, descolada e super na moda. Mas o que aparece é exatamente o contrário. Pessoas não tão bonitas assim, cenários completamente sucateados e um roteiro completamente digno de virar webhit, assim como Lídio Mateus cantando Lei de Gaga.

Começa assim: Uma mulher pseudo-gostosa anuncia o produto e começa a falar coisas boas sobre a rede. Diz que há pessoas interessantes, legais, e que querem te conhecer. No final dá o número do chat e fala sobre os preços. Até ai nada que o diferencie dos demais. Mas é a partir daí que a graça(pra quem a vê) se desenrola. Começa a rolar uma musiquinha de fundo em italiano (aparentemente uma musica romântica), e ai começa uma narração sobre a vida de um rapaz. Ele reclama que trabalha muito, mora sozinho, não tem tempo pra nada, não tem amigos, e queria arrumar uma namorada. (Pausa para os comentários: PORRA! Quem não tem amigos, só vive no trabalho, e não consegue pegar mulher nenhuma NÃO é interessante muito menos descolado.) Eis que ele tem a incrível e genial ideia de ligar para o SuperPapo pra ver se consegue sair da fossa. Na narração, ele começa dizendo algo do tipo "Conheci uma menina muito legal, a nossa conversa foi ótima e a gente marcou de se encontrar amanhã na hora do almoço. A gente se conheceu no... superpapo". (Pausa para os comentários: Deu pra sacar a vergonha alheia até na forma com a qual ele fala de como ele conheceu sua amadinha. A hesitação presente na fala do personagem indica auto-humilhação, ou seja a propaganda deprecia a si mesma.) A saga do personagem sem nome vai se desenrolando. Ele fica apreensivo esperando que a hora do almoço chegue logo, como um menininho de doze anos que não sabe o que fazer quando pede pra ficar com a menina mais bonita da sala. Ele chega ao local de encontro, um local muito escroto, que me lembra o Bar do Seu Carlos (o Náufrago), onde eu fazia as minhas refeições na época de pré-vestibular(lugar este que ficava próximo à um valão, no bairro da Vila da Penha, no Rio de Janeiro). Um lugar nada romântico, com pessoas feias que comem comida podre. Ele chega, e pensa "Ela não veio". Mas espera, pois ela poderia estar atrasada. Nesse tempo, milhões de pensamentos existenciais passam por sua cabeça. Eis que chega a menina de seus sonhos, e ele resolve puxar assunto com ela pela pior forma possível. Mandando um bilhetinho via garçom de buteco. (Pausa para os comentários: PUTA QUE PARIU!!!!!!!!!! Por que não foi lá e falou decentemente? Precisava mandar bilhetinho de admirador secreto?). Eles se conhecem, se amam e terminam correndo e brincando em um parque mais abandonado que o parque Ary Barroso, em frente ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, Rio de Janeiro.

Mas não acaba por ai. Aliás, a melhor parte da propaganda vem logo em seguida. Começa uma música com dois cantores, um homem e uma mulher. Ela parece a Ximbica. Ele parece o David Brasil, só que metido a rapper e sem a gagueira. As três primeiras estrofes são cantadas pelo cara, e a última(porém não menos irritante), é cantada pela mulher. Vejam a letra:

“Ficar sozinho não é minha opção,
todo mundo tem alguém, também tenho um coração.

No meio da noite na pista na balada,
tudo muito excitante mas não dá em nada.

Uma noite apenas, uma noite e nada mais
eu me entrego de cabeça, isso não me satisfaz.

Quero entender me entregar, sorrir curtir e te encontrar,
quero é te amar e te beijar fugir contigo desse lugar.”

Mas quem é que ''na pista, na balada" vai se entregar de cabeça? Só sendo muito trouxa, caralho!
Esses míseros versos poderiam ser destrinchados pelo resto do dia a fim de uma reflexão mais profunda, mas esse texto já tá me deixando meio retardado.

Fato é que precisamos de melhores marketeiros e publicitários. Se não a televisão e quiçá a internet estarão em pouco tempo afundadas em coisas desse tipo. E como diria Regina Duarte, "Eu tenho medo".

Pra quem quiser ir acompanhando: http://www.youtube.com/watch?v=2IWtfD5cZQ0

terça-feira, 27 de julho de 2010

De volta à realidade

A Copa do Mundo acabou há quase um mês, e para a tristeza do povo brasileiro, aquele timeco medíocre do Dunga não conseguiu voltar com a taça(merecidamente, diga-se de passagem). Pintamos nossas ruas, nossas casas, nossos rostos, nossos cachorros, até (para os mais radicais) nossas bundas para torcer pelo nosso país nessa competição que desperta interesse até nos mais desinteressados por esportes. Nos juntamos a um monte de gente em lugares públicos ou privados, fazemos vaquinhas pra comprar tinta de diversas cores(principalmente verde e amarela), carne pra fazer churrasco, bandeirinhas, chapéus, cornetas, camisas e (como lançamento da copa de 2010) a incrível vuvuzela! Nesse ano, mais especificamente, nos juntamos até na web pra mandar o desgraçado do Galvão Bueno calar a porra da boca! E ainda por cima conseguimos enganar uma penca de gringos com isso! Infelizmente, o hexa não veio, mas isso faz parte do esporte.

Tudo isso que eu acabei de mencionar acima faz parte de nossa cultura. Mais do que isso, serve pra mostrar pra nós mesmos, que somos capazes de nos mobilizarmos em torno de uma causa, a partir de nossos esforços e da nossa vontade. Falo isso porque, daqui a alguns meses teremos algo muito mais importante do que um torneio de futebol(sem querer tirar a magnitude do evento anteriormente mencionado). Obviamente me refiro às eleições, que este ano (como de costume) serão para Presidente da República, Senador, Governador, Deputado Federal, e Deputado Estadual. Ou seja, só não estaremos escolhendo nossos prefeitos e vereadores. Logo, subentende-se que grande parte de nossas vidas enquanto seres sociais será definida neste mesmo ano em que ocorreu a Copa do Mundo(coincidência, não?). Portanto, para que não continuemos nas condições de falcatruagem (com um pouquinho assim de vadiagem) atuais, é necessário que nos orientemos melhor na hora de escolhermos os nossos queridos (ou não) candidatos.

Precisamos, antes de votarmos em nossos representantes, saber a qual partido tal postulante ao cargo está filiado, e qual é a posição política que tal partido tem no cenário nacional. Em outras palavras, temos que saber quais são as ideias que estão sendo defendidas por determinado(s) grupo(s). E se na trajetória política deste indivíduo houver diversas mudanças de partidos, nos quais estes sejam completamente distintos, é sinal de que aquele está provavelmente mais preocupado com o poder do que com o bem estar geral. É o caso do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que já foi do PFL(atual DEM), PDT, PV, e agora está no PMDB, onde finalmente conseguiu ser eleito para um cargo de alta importância. Há tempos, chamava o presidente Lula de corrupto e ladrão, hoje aparece abraçado com ele em qualquer lugar. Daí, também é importante saber a história do candidato e do partido em que irá se votar. Um candidato que já esteve envolvido em diversos esquemas de filhadaputice, de um partido repleto de casos de corrupção, não deve ser muito confiável (exemplo recente é o caso do querido Arrudinha, no qual não preciso nem tecer comentários). Por fim, vêm as análises de propostas, que são de suma importância. Um candidato fechado à discussões e debates, provavelmente não vai querer ouvir o povo alguma hora caso seja eleito. E se for pra fazer uma propagandazinha contra alguém, já adianto que o atual governador do Rio de Janeiro e candidato a reeleição, Sérgio Cabral, declarou que não participaria de nenhum debate na televisão. Depois mudou de ideia, devido à pressão da imprensa e de outros candidatos!

Porém, apesar de tudo isso, precisamos saber também quais são as competências de cada cargo público. Dai vai uma breve explicação pra quem não sabe, ou ainda se confunde com as funções de cada um:

* Deputado Federal: A função do deputado federal é a de propor e votar as leis federais, isto é, as leis que valem para todo o território Brasileiro.

*Deputado Estadual: Compete aos deputados estaduais a função de legislar, no campo das competências legislativas do Estado, definidas pela Constituição Federal, inclusive podendo propor, emendar, alterar, revogar e derrogar leis estaduais.

*Senador: Ao contrário dos deputados, que representam os eleitores, os Senadores representam os Estados dentro da Federação. Entre suas prerrogativas, estão as de aprovar as dívidas dos Estados, homologar a diretoria do Banco Central e dar a decisão final quanto aos acordos internacionais a serem firmados pelo governo. Eles também podem propor leis e fiscalizar as ações e gastos do Executivo. O Mandato de um Senador é de 8 anos. Então, porra, vê se escolhe direito pra depois não termos gente apanhando em Brasília pedindo pro Sarney ralar peitinho.

*Governador: A direção da administração estadual e a representação do Estado em suas relações jurídicas, políticas e administrativas, defendendo seus interesses junto à Presidência e buscando investimentos e obras federais. Este Cargo é o mais elevado cargo político que representa a autoridade máxima do poder executivo

*Presidente: O Presidente é a autoridade máxima do poder executivo nacional. São delegadas a ele as tarefas de Chefe de Estado. Seu mandato é de quatro anos podendo se reeleger (uma única vez) em eleições futuras, é eleito por voto secreto e direto. É dever do presidente zelar pelos direito da soberania nacional, defendendo seu país e a nação que nele habita.


Com isso, poderemos minimamente escolher decentemente algum candidato, embora entre a nossa escolha, e o candidato ser eleito, haja uma grande diferença. Mas não há porque desanimar. Chega de ficar escolhendo indivíduos só por causa de um ''Estamos juntos com você", ou por causa de um Outdoor com rostinho bonitinho, ou pelo fato dele morar perto de você! Chega dessa merda, dessa palhaçada! Vamos parar tratar a política como algo que só está presente em nós de 2 em 2 anos, uma vez que ela não se restringe somente à politica partidária! Somos seres que se relacionam uns com os outros, portanto somos seres sociais, seres políticos(até os mais anti social de todos, ou até o mais radical dos anarquistas), portanto, bom, senso, organização, e conhecimento são essenciais pra que a vida de todos nós melhore! A discussão sobre política (em suas várias áreas) tem que se tornar algo que faça parte de nossa cultura popular, não ser vista (por nossos jovens principalmente) como assunto de gente careta e sem graça!

Diferentemente dos textos anteriormente postados por esse mesmo autor (e apesar da qualidade duvidosa dele), acho que este realmente tem alguma utilidade e importância. Portanto, se você também o achou, peço que divulgue-o, uma vez que quanto mais pessoas o lerem, melhor ele atingirá os seus objetivos. Obrigado, e beijos no cérebro!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Manifesto contra o Pop.

Quem me conhece sabe bem que eu nunca fui muito fã de música pop. Na verdade, tenho um nojinho desgracento desse estilo musical. Seja pelos refrões chicletes, ou pelas letras estilo ''Bicicleta Ergométrica'' (que não te levam a nada e a lugar algum), artistas que fazem muito sucesso com essas batidinhas eletrônicas grudentas nunca desceram pela minha garganta. Até ai tudo bem, todo mundo tem um gosto musical com o qual não se identifica, comigo é a mesma coisa. Mas tem certas coisas que andam dizendo ultimamente nos meios de comunicação que me inquietam.

Tirando raríssimas exceções como Madonna e Michael Jackson (embora o segundo, antes de morrer, estivesse em um quase completo ostracismo), o cenário pop, em termos de sucesso, foi feito quase que exclusivamente por músicas-relâmpago, que dentro de alguns meses já se tornam obsoletas e que logo são substituídas por outras. Tudo como se fosse uma natureza do Mainstream, um processo semi automático, no qual a maioria das pessoas nem se pergunta muito os motivos disso tudo. Elas simplesmente trocam as musicas como se fossem produtos quaisquer, na velocidade que o mercado demanda. Até ai nenhuma novidade. O que me parece diferente, especialmente nos últimos dois anos é a forma como esses sucessos repentinos são encarados. Porque até então todos eles soaram como ''músicas legais que vão tocar no rádio por um tempo e depois serão chamadas de velhas''. O processo, em si, não mudou. Mas agora estas canções não são vistas mais como músicas legais, simplesmente. Me parece que todo mundo acha tudo MUITO FODA e revolucionário e que vai ficar marcado pra todo o sempre. O que não é verdade.

Os dois ícones, que ao meu ver tiveram mais destaque nos últimos anos(como revelações) foram Amy Winehouse(embora no fundo a música dela tenha uma mistura de vários ritmos, mas que no todo acabou sendo chamado de pop) e a maldita da Lady Gaga. Ambas foram consideradas grandes modificadoras do cenário pop, que chegariam pra mudar a cena de vez, que iam mudar a história da música, que são ícones da expressão através da música, que iam fazer o caralho a quatro, etc e tal. A primeira, depois de tentarem fazê-la ir pra Rehab diversas vezes, parece que perdeu um pouco de espaço, e suas músicas estão sendo menos lembradas ultimamente. Já a segunda vive o auge, a ponto de acharem qualquer coisa que ela faça, o gesto mais foda do mundo. Se no próximo clipe que ela lançar, for uma única cena da mesma enfiando um vibrador no rabo e gemendo loucamente, todo mundo vai aplaudir de pé. Enquanto a música que rola é algo no qual eu ainda não achei adjetivos pra descrever. Vejam com seus próprios olhos:

''Just dance, it's gonna be okay da da doo-doom
Just dance, spin that record babe da da doo-doom
Just dance, it's gonna be okay
Da da da
Dance, dance, dance
Just, just, just, just dance''

Em bom português:

''Apenas dance, vai ficar tudo bem da da doo-doom
Apenas dance, gire esse disco querido da da doo-doom
Apenas dance, vai ficar tudo bem
Da da da
Dance, dance, dance
Apenas, apenas, apenas, apenas dance''

Agora eu te pergunto: O que é que tem de diferente nessa caralha de música? Se alguém puder me explicar, por favor, faça-o!

Espero que esse seja mais um fanatismo passageiro, pois caso eu esteja errado, é sinal de que vivemos tempos sombrios!

ps: se você gosta de música pop e não gostou da postagem, um grande e sincero ''Vai tomar no cu'' pra você!

domingo, 6 de junho de 2010

Cultura de ódio x Respeito/Gostar hipócrita

[Bem, essa é a segunda vez que eu vou escrever esse texto. Dá primeira vez tava ficando até legalzinho, mas daí apagou tudo do nada. Então agora eu estou com raiva por causa disso, logo, o texto pode ser prejudicado. Mas vamos ao que interessa!]

Em tempos de Internet e revolução tecnológica(se é que esse termo pode ser apropriado), muitas pessoas tem acesso a diversos veículos de comunicação e informação, e podem também dar os seus respectivos pareceres em relação aos diversos acontecimentos do mundo livremente(sejam esses acontecimentos relevantes ou não para as nossas vidinhas medíocres). Por exemplo, neste blog, eu comento(com total parcialidade, diferentemente do que tentam fazer os jornalistas investigativos) sobre coisas que são completamente banais, tipo a desvalorização das pessoas que trabalham com máquinas de fotocópias, ou coisas que podem até ter lá a sua importância(?). Em outras ferramentas desse tipo, como o twitter, várias pessoas fazem isso, mas em 140 caracteres. Há também, como exemplo mais recente, os vídeo-blogs, onde o cara faz mais ou menos a mesma coisa que eu faço aqui, só que usando a sua voz, e com uma câmera gravando. Caras como Ronald Rios e Felipe Neto já são quase celebridades na web. O sucesso do primeiro foi tamanho, que até conseguiu arrumar o seu espacinho dentro da MTV. Enfim, fato é que cada vez mais, mais pessoas tem se expressado através da rede mundial de comunicação. E minha abordagem será sobre a forma como as pessoas tem se expressado ultimamente, obviamente ignorando os erros gramaticais que são sempre cometidos, pois isso não caberia nem em um livro, muito menos em um texto.

Não é incomum ver em algum desses meios de comunicação citados no parágrafo anterior, pessoas dizendo que odeiam diversas coisas. E a lista de coisas odiadas pode variar bizonhamente, desde ''Eu odeio quem caga de cócoras'', ''Eu odeio quem odeia gatos'', ''Detesto quem senta do meu lado do ônibus'', ''Não suporto gente que dá o rabo''(Tipo de ódio sem noção) até ''Odeio Axé'', "Odeio pagodeiros'', ''Odeio Matemática'', ''Odeio professoras mal comidas'', etc. (Tipo de ódio exacerbado, mas mesmo assim compreensível e justificável). Ou seja, parece que se criou uma cultura de ódio, onde odiar até a mais pequena das coisas virou uma lei. Em outras palavras, parece até que o ódio se banalizou e virou moda.

Do outro lado da moeda, há pessoas que são contrárias a isso, porém igualmente radicais em seus discursos, e que acham que qualquer tipo de ódio é puro preconceito e uma enorme falta de cordialidade. Mas ora, quem é que não está carregado de preconceitos? E quem disse que temos que ser bonzinhos com tudo e com todos? Um belo exemplo disso, foi quando o meu querido primo Isaac Carvalho falou que eu fui preconceituoso quando disse que CPM 22 era uma merda e que qualquer cover que tocassem deles ficaria melhor do que a música original. Então segundo esse preceito eu deveria me calar diante a péssima qualidade sonora dos caras e mostrar um falso respeito, que ao meu ver, eles não merecem?

O ódio carrega há séculos uma conotação perversa(principalmente a partir de certos preceitos ideológicos da religião), que certas pessoas tentam incriminá-lo a abominá-lo radicalmente, enquanto na verdade ele existe invariavelmente e faz parte de nossas vidas. Não podemos nega-lo. Mas também não podemos fazer dele a base de tudo, é óbvio!

domingo, 9 de maio de 2010

Máquina do tempo

Nunca fui daqueles que olham pro passado e o veem como uma época de plena felicidade, onde os seres humanos viviam em harmonia com tudo ao redor e talz. Sempre rejeitei um pouco esse saudosismo romântico de grande parte dos poetas. Me lembro bem das coisas ruins que aconteceram há tempos atrás, e não sei por que acabo de alguma forma me atendo a elas. Isso pode ser bom ou ruim, dependendo do ponto de vista. Mas fato é que nos últimos dias eu ''mudei de ideia'' e comecei a me lembrar bastante das coisas boas da minha infância.

Depois de diversas conversas sobre Toy Story, Power Rangers e Caverna do Dragão(ok, teve também sobre os Ursinhos Carinhosos, mas deixa pra lá) com a minha querida Ana Carolina(a grande culpada por eu estar escrevendo esse texto, um beijo, Carol), concluí o que eu já pensava sobre eu ser uma eterna criança. Lá estávamos nós, no meio do SAARA(o centro de comércio, não o deserto, é claro), procurando loucamente pelos bonecos dos Rangers que morfavam (quem é da minha idade sabe do que eu to falando), que eu tinha quando criança e fiquei muito puto(a ponto de querer xingar muito no twitter)quando os perdi. Quando achamos, e vi a coleção quase completa, senti como se tivesse voltando a uns 13 anos atrás e me lembrei de como era bom brincar com aqueles brinquedos velhos, fazer com que todos os bonecos caíssem na porrada uns com os outros, com que rolasse a maior pederastia entre os casais, e dar o final que eu quisesse a qualquer brincadeira hipotética. Como era legal brincar na água, fingir que eles morriam todos afogados graças a uma onda gigantesca gerada por algum vilão, e que depois uma força sobrenatural ressuscitaria todo mundo e o vilão morreria de um jeito mais escroto do que como eu geralmente morro nos meus sonhos estranhos. Ah que saudades...



E quem nunca pensou que os seus bonecos tinham vida própria? Atire a primeira pedra quem nunca foi dar aquela conferidinha pra ver se tudo estava nas mesmas posições que antes. Principalmente depois que o clássico da Pixar foi lançado, eu e outras crianças mongolóides ficamos com essa certa nóia, que até era divertida, gerava várias teses acerca da vida de seres supostamente inanimados.

E como falar de infância sem lembrar do Chaves e do Chapolin? Quem nunca teve vontade de ter uma barraquinha de refrescos, ou plantar uma árvore do dinheiro, ter uma bola quadrada(ou até mesmo aquela gigante que o kiko tinha), recitar ''A volta do cão arrependido'' 65 vezes, cantar ''Que bonita sua roupa'' em coro, ter uma marreta biônica, tomar pílulas de nanicolina, lutar com uma múmia, ter a varinha do ''Chirrin-Chirrion do diabo'', nomear o próprio cachorro de Satanás ou Madruguinha, ter um tabuleiro de xadrez para principiantes, comer um sanduíche de ovo, escrever na máquina de escrever com uma tecla só, desenhar uma Xinforínfola, tomar uma poção pra ficar invisível etc.

É nessas horas que eu queria ter uma máquina do tempo...

domingo, 2 de maio de 2010

Eu não apóio.

Desde o ano passado, rola uma parada no meu querido chiqueiro chamado Brasil, que nós, meros mortais, chamamos de Lei Seca. Uma lei que no início causou bastante polêmica acerca do uso dos ''saudáveis'' bafômetros e que a galera que curte uma caninha de leve ficou meio bolada. Mas se você, caro leitor, ao começar ler esse esse texto associou o título do mesmo ao meu posicionamento diante de um contexto onde tal lei é vigente, lhe digo que não tem nada a ver. Eu na verdade nem sei qual é o meu posicionamento diante disso. Acho que no momento sou contra porque outro dia fiquei parado num engarrafamento causado por uma blitz dessas. E também pelo fato de ser uma lei que resulta da falta de educação do povo, o que de fato é triste (Mas que não deixa de ser importante e necessária). Minha abordagem não será sobre a lei em si, e sim sobre a galera que se sentiu incomodada por ela e começou a ironiza-la.

Dos últimos meses pra cá, o governo lançou uma propaganda ferrenha da Operação Lei Seca, Em trens, ônibus, táxis, Metrô, falando pra população largar seus carrinhos alegres, festivos e bêbados pra andarem nesses meios de transporte(como se eles fossem ótimos, mas ai é outro papo). E como eu disse, a galerinha que ficou meio puta com isso começou a parodiar esses anúncios. Foram cartazes, adesivos e camisas de vários tipos, com dizeres do tipo: "Operação Lei seca: eu odeio'', ou ''Operação fora Cabral: eu apóio'', enfim, uma série de piadistas contratados pela equipe do Zorra Total que tiveram o papel de esculhambar, de forma engraçada e inovadora. O problema(que ocorre bastante no programa televisivo anteriormente citado) é quando a piada começa a ficar repetitiva e banalizada, e a galera não saca a hora de parar. Depois dos exemplos de paródias citadas apareceram coisas do tipo ''Operação Asfalto Liso: eu apóio'', ou ''Operação Pentada Violenta: Eu apóio''(essa foi o ápice). Se não derem um basta na falta de noção dos comediantes daqui pouco pinta uma ''Operação meu pau no seu cu: Eu apóio''. Isso me lembra crianças, que quando falam algo ençraçado e alguém ri continua tentando fazer as pessoas rirem falando a mesma coisa. Meu pai gosta muito de fazer isso também, mas ele é um ser humano a ser estudado a parte.

O exemplo de piadistas forçados não se limita aos odiadores da lei seca, é óbvio. Esses foram apenas os que me fizeram atentar para tal realidade. Outro exemplo mais recente, foi quando os caras do Hermes & Renato(que infelizmente se venderam pro dinheiro sacrossanto da rede Record, diga-se de passagem) fizeram o genial Tela Class(creio que todos saibam o que é o Tela Class, se você não sabe é porque ainda não viveu), uma serie de egraçaralhos de plantão já se prontificaram à seguir os passos dos humoristas de verdade, fazendo a mesma coisa com filmes igualmente toscos. Alguns até ficaram bons, como ''Miguel, o comedor de cu''. Mas tem gente que acha que o simples fato de se adicionar palavrões a uma dublagem vai fazer um monte de gente rir. É o caso do ''Tráfico na vila''(Não sei nem se esse vídeo é anterior ou posterior ao Tela Class, mas o que importa é que é uma merda), onde meia dúzia de desocupados modificaram a dublagem de um dos maiores clássicos da televisão chamado Chaves e simplesmente assassinaram o humor sutil e inocente do seriado!
Ainda tem muito mais a se abordar a respeito dos aspirantes a piadistas, mas que por efeito de tempo, preguiça e sono, não mencionarei.

Espero que vocês, assim como eu, tentem deixar claro pra esses malditos que a arte da piada é pra poucos. Por isso, eu não os apóio(entendeu agora o título do texto né?)

Só por questão de créditos, Gostaria de agradecer a Gabriela Iba, Letícia Mose e Rodrigo Monteiro por me fazerem lembrar que a lei seca é uma Lei federal, e não estadual, como eu pensava.

Beijos na retina de todos.