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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma homenagem justa.


Este final de semana eu vou ao Rock in Rio. Como consequência disso, minha cabeça não pensa em outra coisa que não seja música. E música pra mim, sempre (ou desde que o meu lado crítico/interpretativo começou a se desenvolver) esteve ligada a grandes músicos que influenciaram (e influenciam) artistas que inspiram, emocionam e cativam. Um grande exemplo disso foi o R.E.M., banda que anunciou o seu fim durante esta semana e que com certeza deixará muitas saudades.

Não foi ficar naquele papinho "Ai-meu-deus-a-banda-acabou-vou-morrer", mas que vai fazer falta vai. Vai porque a banda tinha uma inteligência pra escrever que era fora

do comum. Tinha melodias não tão profundas mas que provavelmente alguma delas te tocou (nem que tenha sido de raspão) em algum momento da sua vida. Suas habilidades pra clipes sempre foram notáveis, e seu último disco, lançado em 2011, apesar de não chegar perto dos melhores que já lançaram, não era de se descartar. Confesso que preferi o penúltimo, chamado Accelerate, que tinha uma arte no albúm que era lindíssima, que parecia dar cores ao preto e branco.


Mas o que importa é eu gostaria de prestar esse tributo a uma das bandas de maior importância e notabilidade dos últimos anos, aposto que gosta de um bom rock vai sentir falta. E ah, meus queridos, eu peço desculpa por ter trocado o show de vocês em 2008 pelo do Offspring. Eu juro que eu queria ir, mas eu moro longe pra caralho da HSBC Arena, e nesse dia nao tinha carona pra voltar. Malz ae.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

As maiores frustrações sociais da minha vida

1 - Fulaninho/a tem uma nova atualização do horóscopo diário.
2- Fulaninha (14 anos) está casada com fulaninho (15).
3- Fulaninho te convidou para jogar cityville.
4 - Cole isto no seu mural
5 - Gosto muito de artes/história/filosofia/composição de interiores/biologia/ etc mas vou fazer direito/medicina/engenharia por causa dos meus pais.
6 - Votei no Serra na última eleição
7 - Eu achei a Marina a candidata mais preparada.
8 - Acho que tu deveria malhar pra ganhar mais corpo
9 - Vou fazer meu aniversário numa boate.
10 - Mudei de time porque amo meu namorado.
11 - Vou ver meu jornal (liga na globo às 8 da noite)
12 - Como assim você não vai levar sua namorada?
13 - Posso levar meu namorado?
14 - Não me estressa hoje porque eu to de TPM
15 - Partiu Exalta?
16- Concerteza você vai ficar melhor
17 De vez enquando eu dou uma passada lá
18 - Viu aquela matéria na Veja?
19 - Ah, tu gosta de História? Conta uma história ai pra gente então.
20 - Não voto no PT porque sou contra o Comunismo. (OI?)
21 - Não sei se vou poder, tenho que ver com o meu namorado.
22 - Corta esse cabelo, menino!
23 - Mas tu quer ser professor pra sempre?
24 - Flamengo é time de mulambada. Tudo viado, bandido, puta, mendigo, analfabeto. (A torcida do meu time só tem pai de família)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Wasting Light


Não é e nunca foi meu forte escrever sobre música. Mas ao ouvir esse disco eu não consegui me conter. Confesso que fiquei surpreso com ele. Muitas bandas que gosto, com o passar do tempo acabam mudando seu estilo musical, por razões óbvias: A música, enquanto vertente da arte, reflete, entre outras coisas, a forma de pensar do artista. E como qualquer ser humano, o artista também muda a sua forma de pensar conforme a acumulação de conhecimento, amadurecimento, a fase de sua vida ou seja lá o que for. Isso acaba gerando mudanças na forma de se expressar, consequentemente. Muitas pessoas criticam essas mudanças, alegando que elas representam fraqueza de personalidade ou algo do tipo. Ora, isso é uma grande bobagem. Tal argumento seria tão absurdo quanto achar que seus pais deveriam agir hoje assim como agiam quando tinham 18 anos. É completamente ilógico.

No entanto, infelizmente o capitalismo encontrou na música uma infinita fonte de reprodução do capital, e apropriou-se dela, tornando a lógica de produção musical extremamente mercadológica e competitiva, o que, em minha humilde opinião, não traz outra coisa à essa arte a não ser a pobreza. Pobreza no sentido de padronizar o que vai ao público, o que acaba gerando uma limitação, e uma concorrência entre os artistas que entram nesse mercado para ver quem vai ser o mais ouvido dentro desse mais do mesmo. E ai, a tal mudança que eu tinha falado pode se dar dentro dessa lógica, o que é perfeitamente passível de críticas, ainda que possa haver uma linha tênue entre as mudanças "mercadológica" e "natural".

O problema é quando a lógica do mercado passa a ser naturalizada. A arte passa a ser feita não como expressão do sentimento/pensamento do artista, e sim com o intuito único de se ganhar dinheiro, como se a arte tivesse sido inventada apenas com o advento da revolução industrial. Algo absurdo. Limitação de mentalidade, o que se reflete na arte propagada pelo mainstream, o que é reforçado por salvadores da nação, como o super gênio da internet, o senhor excelentíssimo Felipe Neto, que tem sua cueca cheirada mentalmente por 70% da jovem classe média brasileira (para o bonitão revoltado de óculos escuros, artista vendido é sinônimo de artista bom).

Enfim, dei essa volta toda pra falar do novo disco do Foo Fighters. Banda que existe desde 1995, famosa pra caralho, já ganhou Grammy e o caralho a quatro, já lançou sete álbuns de estúdio, um Greatest Hits e um álbum ao vivo. Desde o primeiro álbum, a banda fez um som reconhecido pela autenticidade, um Rock que até hoje não se encaixa perfeitamente em nenhuma Tag do Last.fm. O Foo Fighters ficou famoso graças a músicas completamente distintas umas das outras, como Best Of you, Everlong, DOA, All My Life e Learn to Fly e teve álbuns com grande número de vendas. Mesmo assim, não foi vedete da mídia, não esteve presente nas festas, não é alvo de fofoquinha nos tablóides, etc. Exemplo de arte que não se enquadra no status quo. E ainda assim os caras enchem a bufa de dinheiro fazendo música. Não me entendam mal. Não recrimino o fato de um artista ficar rico com sua arte. Acho louvável até. Só não acho que a arte deve ser feita com base no dinheiro, porque artista vendido é artista pobre (intelectualmente), sem nada a dizer, é aquele que abaixa a cabeça pra tudo o que manda a gravadora, ou seja, que se submete a ditadura do dinheiro, simplesmente por não ter o que falar. Essa banda tem o que dizer, ficou claro por esse álbum que estou recomendando a vocês. Pra quem acha que é "natural que se venda", essa é uma bela resposta de uma banda que está na ativa há 16 anos.

O álbum foi gravado na garagem de Dave Ghrol e somente com o uso de equipamentos analógicos. As melhores faixas são White Limo (GOOOOOOOOOOOOO LIMOOOOOOOOOOOOOOO), Bridge Burning, These Days e Dear Rosemary. Pra quem conhece a banda de longa data, aposto que ficarão agradavelmente surpresos. O Foo Fighters mudou mas continua foda em sua essência. Pra quem não conhece e tá afim de ouvir um bom rock, também é uma escolha boa.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vamos marchar?

Foi capa na revista Carta Capital há um tempo atrás a série de protestos que rolaram em várias capitais do país. As mais comentadas foram a Marcha das Vadias (do termo Slutwalk, em inglês) e a Marcha da Liberdade.

Eu estive na segunda. Muita gente a associou à conhecida Marcha da Maconha, uma vez que muitos de seus manifestantes carregavam cartazes com dizeres favoráveis a descriminalização da droga. Além disso, diversos coros de cunho bem humorado e provocativo foram enunciados pelo mesmo propósito.

Como todo protesto que vai à rua tem a sua repercussão, não deixou de ser diferente com esse. E como, segundo um amigo meu "brasileiro é foda", sempre tem um filho da puta que não se presta nem a ouvir ou ler direito sobre o assunto pra já sair metendo o malho. Não foi diferente nesse caso, com as famosas declarações do tipo "bando de maconheiro desocupado", "é tudo puta" ou qualquer declaração de cunho pejorativo que tentasse difamar o grupo que se organizou para externar a sua insatisfação. Como consequência, esses 'críticos' pretendem dizer o seguinte: "Sua aspiração é em vão, viva numa ilha auto-suficiente como eu e não será necessário prestar um papelão desses".

Como todo movimento acaba de certa forma gerando um debate, um dos questionamentos mais frequentes frente a essa série de manifestações (leia-se Parada Gay, Marcha da Maconha, Marcha da Liberdade, Marcha das Vadias, etc.) foi a seguinte: "Por que o povo vai à rua para essas marchas, e não mobiliza-se para reivindicar melhorias na saúde e educação públicas, ou para o combate à corrupção?" Uma pergunta parecida a essa fez parte de uma matéria do jornal O Globo. O MST respondeu, mas teve sua resposta ignorada. A declaração do movimento pode ser vista no site do mesmo.

Mas lá vou eu tentar responder (com as minhas devidas limitações) a essa questão. Primeiramente, a população SIM se mobiliza em nome da educação. Os professores da rede estadual do Rio de Janeiro estão em paralisação há mais de um mês e parece que ninguém se deu conta disso. Não é incomum você andar na rua e ver camisetas e/ou adesivos com os dizeres "Operação respeito à educação: Eu apóio." (estratégia de divulgação que eu abomino, mas vá, é por uma causa bacana). Quanto à saúde, confesso que estou por fora. Quanto à corrupção, vejo que qualquer movimento que tem características de descontentamento com a realidade e que caminha para a justiça social, seja de combate a corrupção. O movimento do Corpo de Bombeiros carioca combateu veemente a corrupção do calhorda Sérgio Cabral. O mesmo fazem os docentes. Pagar menos de mil pilas pra essas ocupações e conceder bilhões de isenção fiscal pra um monte de empresa é corrupção sim!

Agora, o mais interessante, é que sobre os movimentos que falei, é conveniente à grande mídia limitá-los a um só tópico. O movimento dos bombeiros não foi só um movimento reivindicando aumento da base salarial da classe, mas sim uma luta por melhoria das condições de trabalho, dignidade e reconhecimento por parte da sociedade e do Estado. A dos professores não é outra coisa senão luta pela educação gratuita, democrática, laica e de qualidade. Quanto às tão criticadas Marchas da Liberdade e das Vadias, afirmo que a primeira foi uma junção de insatisfações: oligopolização da mídia, construção da usina de Belo Monte, homofobia, repressão policial, baixos salários, criminalização dos usuários de drogas e por ai vai. Já a segunda, não foi um aglomerado de putas mostrando os peitos não. Foi uma forma irreverente de se chamar a atenção para uma questão de violência contra a mulher, algo aparentemente retrógrado mas que assola milhares de lares.

Mas e ai, por que não bater diretamente nas teclas de saúde e educação? Bom, é uma ótima ideia. E garanto que os mobilizados acima estariam dispostos a se meter nessa. Resta saber se o setor conservador que atacou os manifestantes (como o senhor Carlos Massa, também conhecido como Ratinho, ou bosta para os entendidos) está disposto a entrar nessa, uma vez que defendeu estas prioridades, em detrimento de "assuntos de vagabundo", como maconha e piranha.

domingo, 19 de junho de 2011

Puteiro hoje não!

Sem muitas coisas pra desenvolver, ai vai uma rapidinha. Não vou citar nomes. Mas é verídico

M1: - Po, muito maneiro tu encontrar os teus brothers, geral zoando bêbado, ai vai geral pro puteiro ver as minas dançando, dai daqui a pouco tem um que pega uma e vai pro cantinho, gamou na puta. Po, o cara que diz que nunca foi num puteiro, com certeza, tá mentindo.

Eu: - Eu nunca fui não, cara.

H1: - Nem eu!

E agora, quem é o mentiroso? Vou deixar o mistério no ar. Ou não, vocês me conhecem o suficiente pra tirarem uma conclusão decente!

domingo, 15 de maio de 2011

Vamos parar pra pensar?

O Rio de Janeiro possui um deputado federal chamado Jair Bolsonaro. Pra quem acompanha o cenário político brasileiro de perto isso é mais do que óbvio, nenhuma novidade. Pra quem não acompanha, também! O bonitão ficou famoso após inúmeras declarações polêmicas que foram ao público no quadro "O Povo Quer Saber" do programa da Rede Bandeirantes "CQC".

Tais declarações do bonitão causaram um enorme debate na sociedade brasileira. Chegou-se a pedir a cassação de seu mandato. As posições político-filosóficas do deputado incomodaram a muitos. Obviamente (quase) ninguém iria declarar apoio a uma pessoa que destilou todo o seu preconceito e reacionarismo em rede nacional (a não ser quem fosse suficientemente idiota a ponto de sair mascarado na rua se declarando neonazista). Depois disso, o parlamentar do Partido Progressista (partido que possui suas raízes nos antigos PDS e ARENA) apareceu na televisão várias vezes pra tentar reverter a merda que fez. Como bom idiota, não conseguiu e só deixou mais clara ainda a sua inabilidade de debater, coisa essencial num Estado democrático de direito. No programa "Jogo do Poder" da rede CNT, Bolsonazi não só foi massacrado por seu 'colega' de profissão Chico Alencar (PSOL - RJ), como continuou a pregar o ódio e a violência a homossexuais. Fez questão de dizer que não é racista e reiterou isso o tempo inteiro. Em minha humilde opinião, o fato de ser racista ou não, não o torna menos lamentável e/ou desnecessário.
Mas todo esse reboliço causado por ele fez lembrar de certas coisas.

No final de 2010, a minha cidade, mais precisamente a região onde moro, foi notícia no mundo inteiro. Uma série de ataques de facções criminosas assustou a cidade inteira. Em seguida, a polícia fez uma série de incursões em um conjunto de favelas, em resposta ao que havia sido feito nos dias anteriores. Tais ações foram transmitidas pelos veículos de informação em tempo real, o que fez um monte de gente chamar o ocorrido de "GTA in Rio de Janeiro". Enquanto todos acompanhavam a ação policial do conforto de seus lares, e da companhia do inseparável Twitter, eu fazia exatamente a mesma coisa, porém com a visão privilegiada da janela do meu quarto do helicóptero da PM e também do Globocop. Enquanto rolava toda uma discussão acerca de segurança pública online (coisa que eu acho extremamente necessária, independentemente do meio de comunicação utilizado), vi de algumas pessoas comentários que me deixaram incomodados demais. (Veja o link: http://vouficarcomapernagrossa.blogspot.com/2010/11/violencia-paz-no-rio.html)

As declarações de Bolsonazi e a dessa gente caminha de mãos dadas. Pra mim ele é como se fosse um espelho dessa sociedade que quer resolver seus problemas da forma mais estúpida possível. Talvez ele seja um personagem caricato que faça você rever seus conceitos pra que não seja tão idiota a ponto de dizer que "pobre tem tudo que morrer", "ninguém quer ter filho viado", "gostar de alguém do mesmo sexo é doença", "o ex-presidente tem que ser fuzilado" ou qualquer coisa do tipo.

Então, por favor, povo do Rio de Janeiro, não façamos a merda de colocar um cara desses no poder novamente. Não queiramos viver em um ambiente de hostilidade, intolerância, desrespeito e burrice. Assim eu (assim como muita gente) me sinto envergonhado.

sábado, 16 de abril de 2011

A morte de Luciano Huck

Pararam as máquinas. Novas manchetes vieram a caminho. Pois nosso sonho acabara de acabar. Por quê? Porque acabara de morrer o idealizador dele. Os açougues fecharam. As papelarias também. A televisão fez luto com homenagens de uma semana inteira. Os jornais faziam retrospectiva da sua vida. Ruas mudaram de nome para homenageá-lo. A comunidade judaica ficou de luto por um ano. A católica também. A protestante idem. O mesmo fizeram a Umbanda e o Candomblé. Garotinhas e garotinhos colocavam os dizeres LUTO entre colchetes ao lado de seus nomes no orkut (sempre acompanhados de alguma foto na balada, é claro).

Depois disso o país se afundou numa crise. As escolas pioraram de vez(afinal, não saber soletrar palavras desconhecidas como 'lexicologia' é uma coisa inaceitável no século 21), o governo do estado do Rio perdeu toda a credibilidade e a polícia passou a ser corrupta e injusta. Todas as políticas sociais foram por água abaixo. A tevê passou a ficar um saco sábado a tarde. A internet nunca mais foi a mesma. O "Quer ficar com a perna grossa?" não tinha mais assunto para fazer publicações.

No plano internacional, milhões de trabalhadores ficaram desempregados nos Estados Unidos. Barack Obama ficou mais perdido que cego em tiroteio, os bancos faliram, os acionistas internacionais desnorteados. Eike Batista abriu mão de tudo o que tinha.

O povo perdeu toda a esperança de ter sua casa reformada ou de aparecer em rede nacional e receber a incrível quantidade de 10 mil reais. Criamos um novo mártir. Os valores da família brasileira se desvirtuaram. As capas Veja não falavam mais de gente que faz o bem. A especulação imobiliária destruiu ambientes naturais. Ninguém mais sabia o que fazer

Ou seja, não mudou muita coisa. E apesar de tudo, ele só era mais um global sem nada a acrescentar.