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sexta-feira, 11 de abril de 2014

O racista e o manipulado pela mídia

Há alguns anos atrás, tive a oportunidade de fazer uma disciplina com a professora Martha Abreu na qual os estudantes foram incentivados e a desenvolver aulas e projetos pedagógicos de caráter antirracista. Até hoje, nesses meus 4 anos e meio de UFF, foi uma das melhores disciplinas que já cursei e uma das que mais contribuíram para a minha formação enquanto historiador e cidadão, por vários motivos que não cabem aqui explicar. Mas enfim, em umas das intensas e interessantes discussões realizadas durante o curso, muito se leu e se falou que o racismo brasileiro é como se fosse um assassinato sem corpo, ou seja, de difícil identificação. Por quê? Porque o racismo sempre está no outro, nunca em nós. Se eu perguntar para você que está lendo este texto a seguinte pergunta: "você é racista ou já cometeu atos racistas?", a sua resposta provavelmente será "não". No entanto, se a pergunta for "Você conhece alguém que seja racista ou que tenha cometido um ato racista?", as chances da sua resposta ser positiva aumentam razoavelmente. Isso porque nós sabemos que o racismo é crime e algo totalmente repulsivo. Então, não queremos ser associados a quaisquer tipos de práticas racistas porque certamente seremos repreendidos e reprovados. Também aprendemos na escola que a "Raça", em termos biológicos não existe, e tendemos a acreditar que o simples fato de termos isso em mente é suficiente para termos superado a nossa herança maldita da escravidão. Falando em escravidão, também tendemos a acreditar que com o fim dela, quaisquer tipos de tensões raciais deixaram de existir em 1888, ou então que quaisquer atos racistas estejam somente ligados a ela. Infelizmente não é bem assim. Inúmeros estudos sobre o negro no pós-abolição no Brasil mostram que a condição de vida da população negra não melhorou significativamente em termos econômicos e sociais (apesar de não negar o grande avanço que foi o fim da escravidão, obviamente), muito por conta da vinda de imigrantes europeus (num projeto de embranquecimento da população, baseada nas teorias da ciência racialista da segunda metade do século XIX) que passaram a ocupar os melhores postos de trabalho. Enfim, tem muito mais do que isso que eu to falando bem resumidamente. O ponto é: por mais que saibamos que Raças, no sentido biológico da coisa, não existam, a composição da nossa sociedade ainda leva consigo muitas características de uma época em que se acreditava na existência delas. Em outras palavras, o conceito de Raça foi superado, mas o racismo (cultural e estrutural) não.

Mas ai você se pergunta: o que racismo brasileiro e manipulação da mídia tem em comum?
Eu respondo: Tudo.
Por quê? Vamos lá:

Da mesma forma que o racismo no Brasil se dá de maneira velada, onde ninguém admite a sua parcela de culpa, uma forma comum de desqualificar o posicionamento alheio é dizer: "Fulano/a é manipulado/a pela mídia/Globo/Globosta/etc.". E aí eu faço uma pergunta parecida com a que eu fiz acima: "Você, caro/a leitor/a, é manipulado/a pela mídia?". Eu tenho certeza absoluta que você vai dizer que não. E faço mais uma pergunta parecida com a outra lá de cima: "Você conhece alguém que seja manipulado/a pela mídia?". Provavelmente, a sua resposta será positiva. Qual o grande problema disso? Muitas vezes não nos damos conta do grande império de comunicação que existe nesse país, chefiado pela família Marinho, mas que conta também com os Civita, Abravanel, Igreja Universal, e talz. E caímos mesmo na tolice de acreditar que, por termos estudado um pouquinho e por termos acesso a internet, estamos totalmente livres do domínio midiático, sem muitas vezes sequer levarmos em conta que as grandes empresas de comunicação tem um traço classista lógico em sua produção majoritária. Acreditamos mesmo que estamos livres de toda a enxurrada cultural da Globo e suas parceiras. Essa estrutura tem suas consequências totalmente danosas para a nossa democracia (se é que dá pra chamar isso aqui de democracia). E tendemos a colocar a culpa no outro sobre estas consequências. O problema sempre está no outro. Que vota mal, que não tem opinião própria, que "só vê novela e futebol" etc. E aí passamos a rejeitar qualquer coisa que venha da tal mídia demoníaca por causa das consequências que ela gera no outro, mas em nós, seres iluminados e perfeitamente pensantes, jamais. Exemplo: no final da novela do Félix (esqueci o nome e fiquei com preguiça de procurar, foi mal), houve um beijo entre dois caras. Parte das pessoas comemorou o que aconteceu, por acreditar que a visibilidade maior dada aos homossexuais é uma ferramenta importante para o combate à homofobia. Outras pessoas caíram na sandice de sair falando mal da emissora por estarem passando "sem vergonhices" em horário nobre que só alienariam muito mais nossa população. Ou seja, combatemos a ~~alienação midiática~~ com homofobia? Quem achou o beijo gay um avanço na visibilidade homo afetiva é necessariamente alienado/a pela mídia? E quem falou mal da Globo por conta do episódio é uma pessoa intelectualmente independente e super instruída, diferentemente dos outros que comemoraram?

O que eu quero dizer é o seguinte: muitas vezes acreditamos que estamos combatendo o racismo sem necessariamente contribuir para uma real igualdade entre pessoas de diferentes cores porque acreditamos que tal igualdade já existe ou está muito próxima, daí pensamos que precisamos fazer pouco para alcançá-la, ou então, deixar o assunto pra lá, porque se não falarmos mais nisso, uma hora vamos esquecer e vai ficar tudo certo. Da mesma forma, tendemos a rechaçar qualquer coisa que venha da grande mídia sem qualquer reflexão crítica porque achamos que estamos livres dela, e/ou que tudo que venha dela é ruim. Pior ainda, não levamos em consideração as disputas que ocorrem dentro dela, que são disputas (ainda que tenha muitas limitações)que se dão em outros espaços da sociedade. Qual é a consequência disso? Acabamos por ser contra o racismo sem discutirmos a estrutura da sociedade com traços raciais bem definidos, e combatemos o que é veiculado pela mídia utilizando as mesmas ideologias dessa mídia que tanto criticamos. Basta ver quantas pessoas detestam a Globo e são a favor de pena de morte, da redução da maioridade penal, contrárias às cotas raciais (propostas que estão de total acordo com o pensamento da classe dominante, da qual os grandes impérios de comunicação fazem parte), etc. Estou querendo dizer que todo mundo que é a favor da pena de morte e das outras propostas seja ~~manipulado pela mídia~~? Não necessariamente. Creio que muitas pessoas sofram influência da mesma em diversos aspectos de suas vidas (desde o tipo de música que ouve, passando pela roupa que veste, até a sua cultura política) mesmo que não queiram, da mesma forma que acredito que muitas pessoas, mesmo não se identificando como racistas, praticam o racismo direta ou indiretamente no cotidiano. O primeiro passo para nos livrarmos disso tudo é termos plena consciência de que somos seres influenciados e influentes, e numa sociedade desigual como a nossa, é muito difícil se ver livre dos padrões e da noção de cultura dominantes.

Não é feio, admitir que já praticou racismo alguma vez na sua vida, feio é querer esconder isso, fechar os olhos para ele e dizer que tá tudo bem, porque temos as mesmas capacidades e potencialidades (isso todos já sabemos, precisamos ir além disso). Também não é feio admitir que sofre influência da Globo e emissoras afins. Feio é achar que você é uma ilha. Ainda mais quando tá escrito na tua cara que não é. Beijos no cérebro e vamos à luta. Até a próxima.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Shopping e a minha casa.

O grande tema dos últimos dias nas redes sociais foi o tal do "Rolézinho". Tais eventos ocorreram nas últimas semanas em São Paulo, e neste final de semana, ocorrerá um no Shopping Leblon, bairro chique da Zona Sul do Rio de Janeiro. Neles jovens das favelas e periferias, assim como alguns militantes de movimentos sociais se reúnem pra passear, tirar uma onda, dar uma paquerada e tudo mais.

Tais atos geraram um grande temor por parte dos donos de Shopping Centers e lojistas alocados neles, que mandaram seus funcionários fecharem as portas, temendo possíveis arrastões. Todo esse ocorrido fez com que se revelasse bastante sobre as formas de discriminação veladas que existem na sociedade brasileira. Para muitos membros das elites e de camadas médias da sociedade, um monte de gente pobre, andando junta e fazendo algazarra, é certeza de crimes à vista.

Como era de se esperar, houve uma polarização de opiniões nas redes sociais, onde uma parcela defendia os argumentos de lojistas e donos de shoppings e, por outro lado, outra parte defendia o direito da molecada de realizar o "Rolézinho" numa boa. Ainda houve quem tentasse achar um "meio termo" para essa discussão, coisa que, no meu ponto de vista, é totalmente inadequada para este tipo de discussão.

O que vou falar no meu texto é algo bem sucinto, mas acredito que seja fundamental pra realização desse debate. Quem me conhece sabe bem de que lado eu me posiciono, portanto, não vou bancar ~~o imparcial~~, até porque acredito que a parcialidade não desqualifique a opinião de ninguém. Muito pelo contrário.

Um dos argumentos utilizados pelos defensores dos lojistas e donos de shopping foi o de que, por se tratar de um ambiente de natureza privada, os proprietários teriam o direito de impedir a entrada desses "Rolezeiros" nos Shopping Centers. A parte defensora dos jovens do "Rolézinho" contra-argumentou dizendo que tal proibição se trataria de uma discriminação tanto de cor, quanto de classe, uma vez que a entrada nos Shoppings é gratuita e aberta ao público em geral.

Mas ai alguns gênios da internet utilizaram o argumento que está brilhantemente exposto nesse link:

Segundo o vídeo, que eu espero que vocês tenham visto até o final sem ter um ataque epilético, os defensores do "Rolé" nos shoppings, deveriam fazer um evento parecido com este em suas respectivas residências. Diante de tanta boçalidade intelectual, me vi obrigado a dizer o óbvio.

Queridos amigos, é possível defender um argumento e um posicionamento sem ser burro. Diante disso, eu venho a público dizer para vocês que um Shopping não é uma residência. Me sinto muito idiota em dizer isso como se fosse uma novidade, mas tudo bem. Não há interesse público em visitar a minha casa, nem a de ninguém, a minha casa não é um centro comercial aberto ao público, nem um museu, nem uma praça onde velhinhos se reúnem para jogar baralho, ou qualquer coisa do tipo. O shopping, apesar de ser privado, sempre teve acesso aberto a qualquer pessoa. Sendo assim, o único motivo plausível pelo qual a entrada de alguém poderia ser vetada seria a superlotação. Os tais "Rolézinhos" não superlotaram os shoppings, principalmente se a gente comparar com a realidade de algumas semanas atrás, quando as compras de natal levaram milhares às lojas, nas quais houve um baita lucro das lojas às custas de degradantes condições de trabalho para a maioria dos funcionários. Sendo assim, defender que o dono do shopping pode escolher entre receber esses jovens negros e favelados no seu estabelecimento comercial (que repito, sempre foi aberto ao público) ou não, é, na melhor das hipóteses, fechar os olhos pra segregação social e racial que existe na sociedade brasileira e ajudar na manutenção do status quo.

Tal "argumento" não merece sequer esse denominação. Isso nada mais é do que desonestidade intelectual. Ou, quem sabe, burrice mesmo.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Porta dos Fundos e a revolta dos cristãos.

Acho engraçado que uma galera defensora da liberdade de expressão, que diz que o humor não pode ser censurado e que existe uma ~~patrulha do politicamente correto~~ que não deixa ninguém fazer mais piada nenhuma com ninguém, agora anda toda revoltada com os vídeos da galera do Porta dos Fundos. Segundo esses, tais vídeos são uma afronta ao cristianismo e aos valores cristãos. Alguns chegaram ao ponto de dizer que os vídeos deveriam ser retirados do ar e tudo mais.

Eu entendo que muitos de vocês, amigos cristãos, não gostem de tais vídeos. Tais histórias, e valores contidos nelas são sagrados pra vocês. Mas eu gostaria que vocês entendessem também, que por mais que vocês não gostem e discordem, a história de Cristo e do Cristianismo NÃO É MONOPÓLIO de vocês. Ela pertence ao público. E este público inclui também os não-cristãos, que diferentemente de vocês, não consideram tais histórias sagradas. Vocês podem não gostar da interpretação que o grupo fez e satirizou. Sendo assim, sintam-se livres para não verem mais nenhum vídeo deles. De qualquer forma, em nenhum momento dos vídeos em que vocês afirmam que há um ~~ataque ao cristianismo~~ há incitação ao ódio ou reforço de esteriótipos, ou qualquer tipo de violência simbólica, e sim uma subversão de uma história contada por vocês que cada ser humano tem direito de interpretar e reproduzir da maneira que melhor entender. Queria muito que vocês entendessem que criticar e satirizar não é a mesma coisa que ofender.

Outro bagulho que vocês estão fazendo e está me dando vergonha alheia é usar o seguinte argumento: "Quero ver fazer isso com Maomé". Se vocês acreditam que o que vocês sofreram foi incitação ao ódio, por quê vocês provocam o Porta dos Fundos a fazer o mesmo com os símbolos de outra religião? Confesso que não entendi. Além do mais, isso não é contra o princípio da própria religião de vocês?

Outra coisa, e é o que talvez mais me incomode no momento: quando os "humoristas" Danilo Gentili e Rafinha Bastos soltaram um monte de piadas preconceituosas contra negros, judeus e mulheres, muitos de vocês se calaram e uma parte ainda veio dizer: "É só uma piada, tem uma galera muito chata que fica patrulhando os outros". Como diria a Tia Vera, minha ex catequista, vocês estão precisando fazer um exame de consciência. Só a fé de vocês merece respeito? A dignidade de seres humanos estigmatizados e violentados pode ser tratada como piada numa boa, mas uma sátira com a história da qual a religião de vocês se apropria (mas que, repito, em nenhum momento é posse absoluta de vocês) é uma afronta a princípios morais? Vocês tem certeza disso?

Há quem diga que há uma perseguição aos valores do cristianismo no Brasil. Eu sugiro que vocês façam a seguinte reflexão: Quantas vezes você, cristão, foi alvo de preconceito por ser cristão? Se já foi, tente se comparar aos adeptos de religiões de matriz africana. Quantas vezes seu templo ou igreja foi destruído por fanáticos? Quantas vezes você propôs que uma oração fosse feita e isto foi negado(incluindo lugares onde manifestações religiosas não deveriam acontecer, fossem elas cristãs ou não)?

Eu espero que muitos de vocês não confundam a luta pela laicização do Estado (ou seja, a separação entre religião e Estado) com uma luta pelo fim de qualquer crença. Caso contrário, vocês estarão sendo nada mais do que massa de manobra de políticos e empresários travestidos de líderes religiosos que querem transformar a sua fé em projeto de poder (que não necessariamente vos inclui). Sendo assim, sugiro que vocês façam uma reflexão mais profunda antes de assinar qualquer baixo assinado ou fazer qualquer denúncia. Obrigado e beijos no cérebro.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Eu sou chato, mas não sou maluco. (ou vice-versa)

Primeiramente, meus amigos, é com prazer que retorno a escrever neste tumultuado e polêmico wannabe blog. A vida esteve muito corrida nos últimos meses e a preguiça andou batendo forte nos tempos livres. Mas aqui estou, de volta para falar um pouco sobre as coisas caóticas da vida.

Nos últimos meses, o estado do Rio de Janeiro, em especial a sua capital se viu sacudido por uma série de manifestações que levaram milhares e até milhões de pessoas às ruas. Tal processo tem levado a um enfraquecimento do governo do Estado, liderado pelo excelentíssimo senhor Sérgio Cabral Filho. O caso do complexo do Maracanã é emblemático. Há meses atrás, a posição de derrubar o Museu do Índio (e retirar os indígenas da aldeia Maracanã), o parque aquático Júlio Delamare, o centro de atletismo Célio de Barros e a escola municipal Friedenreich era firme. Toda a mobilização popular fez a posição autoritária e antidemocrática do governador voador se desmontar como um castelinho de areia.

A verdade é que Cabral não tem mais moral nenhuma com a população do estado que ele (des)governa. Assim, ficará muito difícil que ele reeleja o seu candidato para o próximo mandato, o atual vice-governador Luiz Fernando Pezão. O que de fato seria uma grande tragédia.

Mas como não há nada tão ruim que não possa piorar, temos visto que nas pesquisas mais recentes de opinião para as próximas eleições tem aparecido nomes nada alentadores. César Maia, Lindberg Farias, Anthony Garotinho (além de Pezão) são os nomes mais cotados. Boa parte de vocês quase infartou ao saber disso. Ao lermos esses nomes, podemos ver que caso as pesquisas se confirmem, não haverá nenhuma mudança significativa nas políticas públicas do nosso estado, e a relação deste com a sociedade não será modificada. Sem valorização do serviço e de servidores públicos, elefantes brancos, gastos inúteis, desvios, privatizações, etc. Nada de novo, nem os nomes.

No entanto, estamos em agosto de 2013. As eleições serão em Outubro de 2014. Há tempo para que essa situação se reverta. No entanto, não é querendo ser chato nem nada (afinal, eu canso de falar isso), mas se vocês de fato estão ansiosos para uma mudança no nosso estado, como melhora no transporte público (em preço e qualidade), hospitais com médicos bem remunerados e com equipamentos suficientes para bom funcionamento, escolas com infraestrutura e com valorização de seus profissionais, o fim da violência e arbitrariedade da PM, entre outras coisas, a saída não se encontra por outro lado que não seja a esquerda.

As vezes é chato pros amiguinhos ouvirem isso, afinal, muitos de vocês não querem ir pra esquerda nem pra direita, querem ir pra frente. Mas esse papinho ~~neutro~~ é exatamente o mesmo que aqueles que te enganam praticam. Vocês querem ser que nem eles? Talvez seja essa a hora de vocês saírem de cima desse muro e pararem de achar que pode haver conciliação numa sociedade tão desigual e conflituosa como a nossa.

Um abraço a todos!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Vou contar uns segredinhos pra vocês

1 - O Marcelo Freixo está correto quando se pronuncia em relação a operação que resultou na morte do traficante Matemático.
2 - Direitos Humanos não foram feitos para defender bandidos. Procure no google "Declaração universal dos direitos do homem e do cidadão" e parem de falar besteira.
3 - Bandido bom não é bandido morto, é bandido recuperado.
4 - Nem você, nem eu, nem ninguém temos o direito de afirmar quem tem chances de se recuperar ou não.
5 - O seu desejo de morte e vingança de criminosos dá sinais de psicopatia claros. Procure tratamento.
6 - "Se isso acontecesse com a minha família" eu ficaria puto também. Mas por favor, deixa de ser imbecil e achar que as leis tem que se adequar ao desejo de vingança dos seres humanos.
7 - Se nos EUA existe a pena de morte, azar o deles. São uma sociedade autoritária que tenta se colocar acima do bem e do mal sem sequer dar um jeito nos problemas reais daquele país (pois é, existem problemas sociais nos Estados Unidos da América)
8 - Você é extremamente burro se acha que nos EUA tudo é melhor que no seu país.
9 - A punição de crimes por si só não resolve nada.
10 - Se você acha que ao completar 18 anos, o criminoso de 17 vai parar de cometer crimes, você é retardado.
11 - A redução da maioridade penal não serve para nada, nem como medida paliativa.
12 - Mentira, serve sim. Vai piorar as condições nas prisões brasileiras. Ai você pode pensar: "Ah, foda-se, desde que não estejam na rua, tá bom". Ai o maluco se torna um animal na cadeia, sai de lá com 21 ou 22 anos pior do que quando entrou. Ai vai e rouba o seu celular que você lutou tanto pra comprar. Mas que chato né?
13 - Assistir os programas do Wagner Montes e do Datena faz um certo mal à saúde.
14 - Um rapaz de 16 é grande o suficiente para responder por seus próprios crimes. Mas não pode ganhar direitos com isso?
15 - O Dudu Paes é um bandido mais perigoso do que os do morro (não que esses não sejam)
16 - O Sérgio Cabral também.
17 - O Eike Batista também.
18 - Não, eu não gosto, nem tenho peninha de bandido. Mas também não gosto da burrice de vocês.
19 - É muito engraçado ver pessoas que se dizem "de Deus" reproduzindo todos esses discursos de ódio. Tomem cuidado se não vocês vão pro inferno, hein.
20 - Cristianismo seletivo não é religião, é só uma forma de ser babaca mesmo.
21 - Se você, depois de ler isso tudo, ainda sente vontade de reproduzir todos esses preconceitos, seu lugar não é em uma democracia. Volte no tempo e tente uma vaguinha na Itália de Mussolini.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Caiu na #rede é o que mesmo?

Nos últimos dias vimos que foi criada uma tal de Rede Sustentabilidade, ou #rede, cuja liderança é da historiadora acreana Marina Silva, ex PT e PV, por onde concorreu às eleições presidenciais de 2010, terminando o pleito em terceiro lugar, atrás da presidente Dilma e do jurássico neoliberal José Serra.

Marina, liderança "natural" do novo partido, afirmou que a nova sigla não é de direita, nem de esquerda, mas que está a frente de outros partidos. O que concluir de uma afirmação como esta? Ao meu ver, assim como nas eleições de 2010, ela (que encontra ecos de sua voz em outros partidos políticos) pretende se mostrar acima de quaisquer conflitos, sejam eles ideológicos, programáticos e de atuação política. Tal estratégia é típica de partidos e outras organizações da classe dominante (meios de comunicação, principalmente) que se fingem neutros, numa tentativa (na maioria das vezes, bem sucedida) de criar um consenso sobre suas visões de mundo, projetos de sociedade, etc. 

Sempre que alguém afirma não pertencer à direita, ou à esquerda, pode ter certeza que este alguém é de direita, ainda que no caso do novo partido, haja possibilidade de um diálogo com alguns setores da esquerda. Vale lembrar, que a maioria das organizações políticas de direita no país tem uma enorme dificuldade (na verdade, trata-se de falta de interesse político mesmo) de afirmarem publicamente suas posições reais. E é exatamente o que vai se desenhando nesta nova #rede, que se afirma superior à outras agremiações políticas, diz que vai fazer uma política diferente, mas que já agrega membros que praticam e praticaram a velha política, como políticos de PT e PSDB, partidos supostamente "rivais", além da contraditória PSOLista Heloísa Helena.

Outro ponto importante, é que tal #rede se diz defensora da sustentabilidade e da ecologia. Ao menos nas reportagens que li acerca da formação deste novo grupo, a Rede Sustentabilidade, não se pronunciou sobre a política agrária que defendem para o país, nem sequer direcionou uma crítica ao latifúndio. No entanto, conforme afirma a Folha de São Paulo:  "O estatuto do novo partido proíbe o recebimento de doações de fabricantes de bebidas alcóolicas, cigarros, armas e agrotóxicos e estabelece que a legenda imporá um teto às contribuições que seus candidatos poderão receber." 

Então, será que para estas pessoas, somente uma série específica de capitalistas destrói o meio ambiente? Ou será que eles só estão dispostos a mostrar para o público que estão em defesa do meio ambiente, sem realmente praticarem uma política condizente com tal bandeira? Afinal, as ideias em defesa da ecologia, do fim dos desmatamentos, diminuição da poluição, etc são uma espécie de senso comum na sociedade, na qual um político que por ventura se disser contrário a tais políticas dificilmente terá algum destaque, enquanto outros que levantarem tais causas com mais frequência, terão mais chance de conseguir destaque. Me parece que esta é a estratégia da #rede, que apesar de ver nos agrotóxicos um mal para a sociedade brasileira, dificilmente conseguirá, caso chegue ao poder, efetivar uma política contra o uso destes insumos, devido principalmente à suas próprias contradições internas, e não propor um enfrentamento a interesses capitalistas.

O estatuto do partido também prevê um teto para os gastes com campanhas nas eleições. Interessante, mas ainda assim, o capital privado provavelmente terá um espaço grande na #rede e irá  fazer o mesmo jogo de interesses que faz com outros partidos. Por que não defender o financiamento público?

Diante de tantas confusões, eu me pergunto: Se essa galera é tão em cima do muro, por que não foram pro PSD?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Prevendo a Metereologia

Primeiramente, meus queridos, feliz 2013 e feliz natal de 2012 (super hiper mega atrasado, eu sei). O Quer Ficar Com a Perna Grossa corporation está de volta. Estive muito ocupado nos últimos meses e não tive muito tempo para escrever aqui. Mentira, na verdade eu não tinha o que escrever aqui.

Mããããããs, como estamos no mês de janeiro, eis que me apareceu uma luz. Ou uma água. Ou muitas águas. E não foi só comigo. Praticamente com a população inteira de meu querido e caótico estado do Rio de Janeiro.

Como muitos de vocês puderam acompanhar pela televisão, diferentes lugares foram afetados por conta de fortes chuvas nesse início de ano. Há umas semanas atrás, muitas pessoas na baixada fluminense, principalmente em Xerém (Duque de Caxias) ficaram numa pindaíba legal.

Esta imagem é apenas uma leve ilustração de como ficaram as coisas por lá.

Semana passada, foi a vez da charmosa (só que não) Praça da Bandeira ficar alagada. Mais uma vez. Eu já acho, inclusive que poderiam mudar o nome daquele lugar para praça da inundação, porque toda vez que cai uma chuva intensa naquela área, nego tem que passar por ali com água no joelho.
Nessa imagem acima, podemos ver um jovem, provavelmente estudante, se preparando pra tirar uma onda no piscinão recém instalado pela prefeitura, que por sinal se elegeu com uma chapa denominada "Somos um Rio". No mínimo sugestivo.

Mas, infelizmente, notícias como essa não são mais novidade para ninguém. Acontece que, sempre que tragédias como estas mencionadas ocorrem, ouve-se dizer nos jornais que especialistas em metereologia afirmavam que no dia do acontecimento da catástrofe, choveu a quantidade esperada para o mês inteiro.

Ok, choveu pra caralho mesmo. Mas po, eu to ouvindo esse papo de que o esperado pro mês era X, e que em um só dia choveu X ou 2X e etc. Ano passado foi a mesma coisa, e o retrasado também. Poxa, acho que já dá pra afirmar que em algum dia de verão no ano que vem vai chover o esperado (ou mais) para o mês inteiro. Ou não?

Enfim, na verdade eu não entendo porra nenhuma de metereologia, mas sempre escuto esse papo de que essas chuvas fortes não eram esperadas. Aí vem o prefeito todo engomadinho e diz que o que aconteceu foi um acidente, uma tragédia inesperada, uma fatalidade. Como assim, se todo ano acontece? Ok falar que foi fatalidade, porque a quantidade de pobre morto todo início de ano é alarmante. Mas de resto...

Será que é tão difícil evitar que coisas como essas aconteçam? Ou melhor, será que é tão difícil ter o mínimo de decência e vergonha na cara para afirmar que o que tem acontecido não é um desastre natural, mas sim consequência de um descaso histórico por parte do Estado brasileiro em relação a moradia?