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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Caiu na #rede é o que mesmo?

Nos últimos dias vimos que foi criada uma tal de Rede Sustentabilidade, ou #rede, cuja liderança é da historiadora acreana Marina Silva, ex PT e PV, por onde concorreu às eleições presidenciais de 2010, terminando o pleito em terceiro lugar, atrás da presidente Dilma e do jurássico neoliberal José Serra.

Marina, liderança "natural" do novo partido, afirmou que a nova sigla não é de direita, nem de esquerda, mas que está a frente de outros partidos. O que concluir de uma afirmação como esta? Ao meu ver, assim como nas eleições de 2010, ela (que encontra ecos de sua voz em outros partidos políticos) pretende se mostrar acima de quaisquer conflitos, sejam eles ideológicos, programáticos e de atuação política. Tal estratégia é típica de partidos e outras organizações da classe dominante (meios de comunicação, principalmente) que se fingem neutros, numa tentativa (na maioria das vezes, bem sucedida) de criar um consenso sobre suas visões de mundo, projetos de sociedade, etc. 

Sempre que alguém afirma não pertencer à direita, ou à esquerda, pode ter certeza que este alguém é de direita, ainda que no caso do novo partido, haja possibilidade de um diálogo com alguns setores da esquerda. Vale lembrar, que a maioria das organizações políticas de direita no país tem uma enorme dificuldade (na verdade, trata-se de falta de interesse político mesmo) de afirmarem publicamente suas posições reais. E é exatamente o que vai se desenhando nesta nova #rede, que se afirma superior à outras agremiações políticas, diz que vai fazer uma política diferente, mas que já agrega membros que praticam e praticaram a velha política, como políticos de PT e PSDB, partidos supostamente "rivais", além da contraditória PSOLista Heloísa Helena.

Outro ponto importante, é que tal #rede se diz defensora da sustentabilidade e da ecologia. Ao menos nas reportagens que li acerca da formação deste novo grupo, a Rede Sustentabilidade, não se pronunciou sobre a política agrária que defendem para o país, nem sequer direcionou uma crítica ao latifúndio. No entanto, conforme afirma a Folha de São Paulo:  "O estatuto do novo partido proíbe o recebimento de doações de fabricantes de bebidas alcóolicas, cigarros, armas e agrotóxicos e estabelece que a legenda imporá um teto às contribuições que seus candidatos poderão receber." 

Então, será que para estas pessoas, somente uma série específica de capitalistas destrói o meio ambiente? Ou será que eles só estão dispostos a mostrar para o público que estão em defesa do meio ambiente, sem realmente praticarem uma política condizente com tal bandeira? Afinal, as ideias em defesa da ecologia, do fim dos desmatamentos, diminuição da poluição, etc são uma espécie de senso comum na sociedade, na qual um político que por ventura se disser contrário a tais políticas dificilmente terá algum destaque, enquanto outros que levantarem tais causas com mais frequência, terão mais chance de conseguir destaque. Me parece que esta é a estratégia da #rede, que apesar de ver nos agrotóxicos um mal para a sociedade brasileira, dificilmente conseguirá, caso chegue ao poder, efetivar uma política contra o uso destes insumos, devido principalmente à suas próprias contradições internas, e não propor um enfrentamento a interesses capitalistas.

O estatuto do partido também prevê um teto para os gastes com campanhas nas eleições. Interessante, mas ainda assim, o capital privado provavelmente terá um espaço grande na #rede e irá  fazer o mesmo jogo de interesses que faz com outros partidos. Por que não defender o financiamento público?

Diante de tantas confusões, eu me pergunto: Se essa galera é tão em cima do muro, por que não foram pro PSD?

Um comentário:

  1. por que lá, com o Campos não tem pra ninguem.

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